O aumento no preço da gasolina anunciado pela Atem, dona da Refinaria da Amazônia (Ream), gerou reação do governador Wilson Lima, que afirmou não ver justificativa para a alta no Amazonas. Na última sexta-feira (13/3), a empresa aplicou o segundo reajuste do mês, elevando em R$ 0,40 o valor do combustível vendido às distribuidoras, quase o dobro do primeiro aumento, de R$ 0,22, registrado no dia 6 de março, após o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Com o novo reajuste, o litro da gasolina passou a sair da refinaria por R$ 3,8690, acima dos R$ 3,4650 cobrados após o primeiro aumento. A empresa não comentou a política de preços.

Nesta segunda-feira (16/3), Wilson Lima (União Brasil) afirmou que não vê motivos para o aumento dos preços da gasolina no Amazonas, pois o problema de abastecimento enfrentado pelo País está relacionado ao diesel e não à gasolina, derivado do petróleo cuja produção, na opinião do governador, é suficiente para atender à demanda da população brasileira.
“Vamos esperar para entender o que acontecerá nos próximos dias, principalmente por conta dessa história da guerra (entre Irã, EUA e Israel)”, argumentou Wilson Lima.
Saiba mais:
Ex-assessor da Petrobras critica privatização
O ex-deputado federal e ex-assessor da presidência da Petrobras, Marcelo Ramos, voltou a criticar a decisão do grupo Atem de transformar a refinaria em um simples Centro de Distribuição de combustíveis comprados no mercado internacional, cujos preços variam conforme eventos como a guerra no Oriente Médio.
Marcelo Ramos também acusou a Atem de “driblar” uma ordem da Agência Nacional de Petróleo e Gás para que voltasse a refinar petróleo em Manaus, o que ela fez, mas apenas para o chamado coque, que é basicamente asfalto.
“Em vez de comprar o petróleo extraído em Urucu (no município de Coari), com preço mais barato da Petrobras, e refiná-lo em Manaus para vender no Amazonas, o grupo Atem prefere comprar no mercado internacional, onde a política de paridade entrega preços mais caros. O resultado é que pagamos a gasolina mais cara do País”, explicou.