A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou documentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22) para autorizar a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. A medida faz parte da disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que condicionou a liberação dos próprios dados à verificação de que o petista cumpriu todas as exigências apresentadas por sua equipe.
A conferência ficará a cargo de Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-procurador da Operação Lava Jato e senador eleito. Segundo a advogada da campanha de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, os dados do senador serão liberados assim que a equipe confirmar que a documentação apresentada por Lula atende às condições estabelecidas.
O que a campanha de Lula oferece
O pedido de abertura de sigilos de Lula abrange os últimos oito anos e inclui dados:
- do presidente;
- da primeira-dama, Janja Lula da Silva;
- dos cinco filhos do presidente;
- da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações.
Após a resposta de Flávio, o petista aceitou ampliar o alcance da medida para incluir o Instituto Lula, o assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e informações sobre o cartão corporativo da primeira-dama.
O que a campanha de Flávio exige
Flávio apresentou uma série de exigências para autorizar a divulgação de seus dados dos últimos 20 anos. Entre os pontos estão informações sobre:
- Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha;
- empresas ligadas a familiares do presidente;
- registros de reuniões com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master;
- despesas da Presidência da República.
A liberação dos dados do senador depende da conclusão de que Lula cumpriu todas as exigências apresentadas pela equipe adversária.
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Como começou a disputa
O confronto começou durante o debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos para comparar as informações dos dois. Na terça-feira (20), a campanha petista formalizou o pedido no TSE. No dia seguinte, Flávio apresentou as condições para liberar os próprios dados, e Lula anunciou que aceitaria os termos, desde que houvesse reciprocidade.
A entrega dos documentos ao tribunal não significa que os sigilos já tenham sido abertos. A liberação depende da análise da documentação e dos procedimentos necessários para acessar as informações.
O tema também passou a influenciar a agenda das campanhas na reta final da disputa. Lula condicionou sua participação no debate da TV Globo, previsto para sexta-feira (23), à abertura dos sigilos do adversário.
