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Carla Zambelli pode levar meses para ser capturada, afirma embaixador do Brasil na Itália

Eduardo Mosca esclareceu detalhes do processo de extradição, apontando que ele pode se arrastar por até um ano

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por crimes cibernéticos, segue foragida na Itália, e sua captura pode demorar meses, segundo o embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca.

Em entrevista ao portal UOL, Mosca esclareceu detalhes do processo de extradição, apontando que ele pode se arrastar por até um ano, e destacou que, apesar da repercussão do caso, trata-se de um procedimento comum previsto em acordos internacionais.

Zambelli foi condenada em 14 de maio de 2025, por unanimidade (5 votos a 0), pela Primeira Turma do STF, por ordenar a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pouco antes de a ordem de prisão ser expedida, ela embarcou rumo à Itália. Segundo registros, a deputada entrou no país europeu no dia 5 de junho. Nesse mesmo dia, seu nome foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, usada para localizar e prender criminosos procurados internacionalmente.

Carla Zambelli
A deputada Carla Zambelli (Foto: Lula Marques/EBC).

No entanto, até o momento, não há informações concretas sobre o paradeiro de Carla Zambelli, que está sendo procurada pela polícia italiana. De acordo com o embaixador Mosca, “ela se encontra foragida. Depois de quase três semanas, não se tem ainda nenhuma informação concreta da localização dela”.

Ele relatou que surgiram informações sobre a possível permanência da deputada e de seu marido, o coronel Aginaldo Oliveira, secretário municipal de Caucaia (CE), em Roma e, posteriormente, em Nápoles, mas nenhuma das hipóteses foi confirmada.


Saiba mais:


 

Pedido de extradição já foi formalizado

O governo brasileiro, por meio da embaixada em Roma, entregou o pedido formal de extradição ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália no dia 12 de junho. No entanto, segundo Mosca, o processo depende de uma série de etapas e pode se estender por muito tempo.

Isso pode se arrastar por meses, e é normal que seja assim, porque tudo obedece a um rito da legislação e um amplo direito de defesa“, afirmou o embaixador.

Ele explica que o processo de extradição é jurídico e político, e que há precedentes em que a Justiça italiana deu parecer favorável com possibilidade de recurso, o que prolonga ainda mais o trâmite.

 “Está absolutamente dentro dos padrões. Isso pode levar 30, 60, 90 dias ou até mais”, pontuou.

Mosca esclareceu ainda que após uma eventual prisão, a Justiça italiana deverá avaliar o crime pelo qual a deputada foi condenada, além de solicitar garantias do Brasil quanto às condições carcerárias, direitos e tratamento que serão assegurados à parlamentar.

Não há uma previsão de tempo para isso. Vai depender do andamento judicial italiano”, disse.

Carla Zambelli precisa ser presa em local público

Outro fator que dificulta a captura imediata de Carla Zambelli é o fato de não haver um mandado de busca e apreensão emitido contra ela. Isso significa que ela não pode ser detida dentro de sua residência, apenas em locais públicos.

Enquanto ela estiver em locais que representem o seu domicílio, ela não pode ser presa. Mas identificar esse local já seria muito importante, e abriria caminho para solucionar o impasse”, explicou Mosca.

Carla Zambelli
(Foto: Reprodução)

Ele ressaltou que, quando um foragido é capturado na Itália, a polícia imediatamente comunica à embaixada brasileira que a pessoa está sob custódia. Nesse caso, é reconfirmado o pedido de extradição, e o indivíduo permanece detido na Itália enquanto o processo tramita. Caso a extradição seja autorizada, a pessoa retorna ao Brasil para cumprir pena, com direito a advogado, recurso e demais garantias constitucionais.

Não há lentidão no processo, afirma embaixador

O embaixador fez questão de negar que haja lentidão no caso da deputada, afirmando que o procedimento está sendo conduzido com a mesma atenção dedicada a outros casos semelhantes.

 “Temos outros 15 processos de extradição pendentes tramitando na embaixada”, revelou.

Ele destacou que a diferença neste caso está na notoriedade da pessoa envolvida, o que acaba gerando maior repercussão.

As pessoas tendem a focar nessa captura por ser uma pessoa pública, mas está dentro dos padrões”, reiterou.

O diplomata também enfatizou que o empenho da embaixada é o mesmo em todos os casos, independentemente da projeção midiática.

Relação Brasil-Itália e risco de politização

Indagado sobre um possível risco de politização no processo de extradição, tendo em vista que Carla Zambelli é aliada da extrema direita no Brasil, enquanto a Itália é governada pela premiê Giorgia Meloni, também de direita, Mosca disse estar confiante de que o acordo de extradição entre os dois países será cumprido.

“O processo é jurídico e técnico, e será decidido pelas autoridades judiciais italianas. O parecer judicial será muito importante. Depois, sim, há um crivo político no Ministério da Justiça italiano, e, em última análise, no governo italiano”, detalhou o embaixador.

Mosca também rejeitou o argumento de que a dupla nacionalidade da deputada — brasileira e italiana — poderia impedir a extradição, destacando que há precedentes de brasileiros com dupla cidadania que foram extraditados para cumprir pena no Brasil.

Para o embaixador, é essencial separar o processo jurídico da narrativa política, a fim de evitar que o caso seja utilizado como instrumento de polarização.

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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por crimes cibernéticos, segue foragida na Itália, e sua captura pode demorar meses, segundo o embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca.

Em entrevista ao portal UOL, Mosca esclareceu detalhes do processo de extradição, apontando que ele pode se arrastar por até um ano, e destacou que, apesar da repercussão do caso, trata-se de um procedimento comum previsto em acordos internacionais.

Zambelli foi condenada em 14 de maio de 2025, por unanimidade (5 votos a 0), pela Primeira Turma do STF, por ordenar a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pouco antes de a ordem de prisão ser expedida, ela embarcou rumo à Itália. Segundo registros, a deputada entrou no país europeu no dia 5 de junho. Nesse mesmo dia, seu nome foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, usada para localizar e prender criminosos procurados internacionalmente.

Carla Zambelli
A deputada Carla Zambelli (Foto: Lula Marques/EBC).

No entanto, até o momento, não há informações concretas sobre o paradeiro de Carla Zambelli, que está sendo procurada pela polícia italiana. De acordo com o embaixador Mosca, “ela se encontra foragida. Depois de quase três semanas, não se tem ainda nenhuma informação concreta da localização dela”.

Ele relatou que surgiram informações sobre a possível permanência da deputada e de seu marido, o coronel Aginaldo Oliveira, secretário municipal de Caucaia (CE), em Roma e, posteriormente, em Nápoles, mas nenhuma das hipóteses foi confirmada.


Saiba mais:


 

Pedido de extradição já foi formalizado

O governo brasileiro, por meio da embaixada em Roma, entregou o pedido formal de extradição ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália no dia 12 de junho. No entanto, segundo Mosca, o processo depende de uma série de etapas e pode se estender por muito tempo.

Isso pode se arrastar por meses, e é normal que seja assim, porque tudo obedece a um rito da legislação e um amplo direito de defesa“, afirmou o embaixador.

Ele explica que o processo de extradição é jurídico e político, e que há precedentes em que a Justiça italiana deu parecer favorável com possibilidade de recurso, o que prolonga ainda mais o trâmite.

 “Está absolutamente dentro dos padrões. Isso pode levar 30, 60, 90 dias ou até mais”, pontuou.

Mosca esclareceu ainda que após uma eventual prisão, a Justiça italiana deverá avaliar o crime pelo qual a deputada foi condenada, além de solicitar garantias do Brasil quanto às condições carcerárias, direitos e tratamento que serão assegurados à parlamentar.

Não há uma previsão de tempo para isso. Vai depender do andamento judicial italiano”, disse.

Carla Zambelli precisa ser presa em local público

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Enquanto ela estiver em locais que representem o seu domicílio, ela não pode ser presa. Mas identificar esse local já seria muito importante, e abriria caminho para solucionar o impasse”, explicou Mosca.

Carla Zambelli
(Foto: Reprodução)

Ele ressaltou que, quando um foragido é capturado na Itália, a polícia imediatamente comunica à embaixada brasileira que a pessoa está sob custódia. Nesse caso, é reconfirmado o pedido de extradição, e o indivíduo permanece detido na Itália enquanto o processo tramita. Caso a extradição seja autorizada, a pessoa retorna ao Brasil para cumprir pena, com direito a advogado, recurso e demais garantias constitucionais.

Não há lentidão no processo, afirma embaixador

O embaixador fez questão de negar que haja lentidão no caso da deputada, afirmando que o procedimento está sendo conduzido com a mesma atenção dedicada a outros casos semelhantes.

 “Temos outros 15 processos de extradição pendentes tramitando na embaixada”, revelou.

Ele destacou que a diferença neste caso está na notoriedade da pessoa envolvida, o que acaba gerando maior repercussão.

As pessoas tendem a focar nessa captura por ser uma pessoa pública, mas está dentro dos padrões”, reiterou.

O diplomata também enfatizou que o empenho da embaixada é o mesmo em todos os casos, independentemente da projeção midiática.

Relação Brasil-Itália e risco de politização

Indagado sobre um possível risco de politização no processo de extradição, tendo em vista que Carla Zambelli é aliada da extrema direita no Brasil, enquanto a Itália é governada pela premiê Giorgia Meloni, também de direita, Mosca disse estar confiante de que o acordo de extradição entre os dois países será cumprido.

“O processo é jurídico e técnico, e será decidido pelas autoridades judiciais italianas. O parecer judicial será muito importante. Depois, sim, há um crivo político no Ministério da Justiça italiano, e, em última análise, no governo italiano”, detalhou o embaixador.

Mosca também rejeitou o argumento de que a dupla nacionalidade da deputada — brasileira e italiana — poderia impedir a extradição, destacando que há precedentes de brasileiros com dupla cidadania que foram extraditados para cumprir pena no Brasil.

Para o embaixador, é essencial separar o processo jurídico da narrativa política, a fim de evitar que o caso seja utilizado como instrumento de polarização.

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Ingrid Formoso
Ingrid Formoso
Jornalista , há mais de 10 anos, já passou pela assessoria de vários orgãos públicos do Estado, foi produtora de tv e rádio e agora é editora chefe do Portal que mais cresce no Amazonas.

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