A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo dado nesta terça-feira (11). Segundo pesquisa do Instituto Gerp, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, com 45% das intenções de voto contra 43% de Lula.
Apesar da vantagem de dois pontos, não há liderança estatisticamente isolada. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que coloca os dois candidatos em empate técnico.

O levantamento foi realizado entre 6 e 10 de agosto, com 2.400 entrevistados em todo o país. O nível de confiança é de 95%, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08045/2026. Segundo os dados divulgados, o estudo foi custeado com recursos próprios do instituto, ao custo de R$ 20 mil.
Rejeição pode pesar na decisão
A rejeição ajuda a dimensionar a disputa presidencial. De acordo com o Gerp, 48% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro aparece logo atrás, com 44% de rejeição, uma diferença de quatro pontos percentuais. No levantamento, Lula enfrenta rejeição maior que a de Flávio, embora ambos tenham índices elevados de eleitores que descartam antecipadamente seus nomes.
O cenário também explica por que uma diferença pequena nas intenções de voto não pode ser interpretada como vitória consolidada. Com 10% dizendo que não votariam em nenhum dos dois e cerca de 2% sem saber ou sem responder, existe um contingente relevante fora da escolha direta entre os dois candidatos.

Primeiro turno mostra disputa apertada
A proximidade entre Lula e Flávio não aparece apenas na simulação de segundo turno. No cenário estimulado de primeiro turno, os dois aparecem com 38% das intenções de voto cada, segundo a pesquisa, mais de 30 pontos à frente dos demais nomes testados pelo instituto.
O resultado reforça a hipótese de que a eleição caminha para uma disputa concentrada nos dois principais polos políticos do país, embora a fotografia atual não permita antecipar o resultado das urnas.
| Cenário | Flávio Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| 2º turno | 45% | 43% |
| 1º turno | 38% | 38% |
| Rejeição | 44% | 48% |
No segundo turno, 10% escolheriam nenhum dos dois, enquanto cerca de 2% não souberam ou não responderam.
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Flávio tem vantagem no número, não na estatística
O recorte mais chamativo do levantamento é a liderança de Flávio por 45% a 43%. O dado, porém, precisa ser lido com a margem de erro. Como a pesquisa admite variação de dois pontos para cima ou para baixo, os 45% de Flávio podem representar, estatisticamente, entre 43% e 47%, enquanto os 43% de Lula podem variar entre 41% e 45%.
Por isso, o resultado correto é: Flávio está numericamente à frente, mas os dois estão tecnicamente empatados. O dado chama atenção porque ocorre em um cenário eleitoral no qual pesquisas recentes vêm apresentando resultados diferentes para a mesma disputa, com levantamentos anteriores registrando tanto vantagens de Lula quanto de Flávio, a depender do instituto, do período de coleta e da metodologia.
O aspecto mais relevante do levantamento não é apenas apontar quem está dois pontos à frente. É mostrar uma eleição em que nenhum dos dois conseguiu abrir vantagem fora da margem de erro e na qual os índices de rejeição permanecem altos.
Isso coloca no centro da disputa o eleitor que hoje declara não votar em nenhum dos dois. Em um eventual segundo turno, os 10% que rejeitam ambos os nomes, somados aos entrevistados que ainda não definiram sua resposta, representam um espaço eleitoral potencialmente decisivo, embora a pesquisa de intenção de voto não permita afirmar que todo esse grupo necessariamente migrará para um dos candidatos.
