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Comissão quer criar CPI para investigar crimes no Vale do Javari

A comissão externa da Câmara dos Deputados aprovou, no fim desta quarta-feira (30), o parecer final sobre as investigações do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips no Vale do Javari, interior do Amazonas. O parecer pede ainda a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar crimes na região.

A principal conclusão apresentada no documento é a necessidade de que o poder público aprofunde as investigações sobre práticas ilegais cometidas na área onde Bruno e Dom foram assassinados. De acordo com a relatora, deputada Vivi Reis (Psol-PA), há uma omissão planejada do governo em favor do crime organizado. Ela também destacou a falta de atuação das autoridades.

“Até o momento, não foi dada uma resposta adequada, e não vamos deixar que um tão repugnante crime caia no esquecimento. É preciso fazer justiça e honrar a memória de Bruno e Dom”, reforçou a parlamentar.

Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram no 5 de junho. Ambos estavam recebendo ameaças de pessoas que atuam ilegalmente na região.

Até o momento, Amarildo da Costa, Osney da Costa e Jefferson da Silva foram denunciados e presos pela participação no assassinato, mas ainda não foram ouvidos em juízo.

A relatora observa que a princípio a Polícia Federal negava a a existência de uma organização criminosa, baseando a investigação na atuação exclusiva dos três denunciados. No entanto, com pressão de indígenas e indigenistas, as investigações passaram a envolver outros delitos, como o tráfico de drogas.

“Está nítida a existência de associações que não financiam apenas a pesca ilegal, mas que também podem estar utilizando essa prática para lavagem de dinheiro proveniente de tráfico internacional de drogas”, ressaltou Vivi Reis.

Veja mais:

Caso Bruno e Dom: OEA solicita proteção a membros da Univaja

No entanto, o parecer aponta um retrocesso no caso: no início de outubro, uma decisão da Justiça Federal no Amazonas concedeu ao suspeito apontado como mandante do crime, Rubens Villar Coelho, o “Colômbia”, o direito de cumprir prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. A relatora reiterou que essa decisão intensificou o clima de tensão e medo na região.

“A prisão do “Colômbia”  foi fruto do grito daqueles que não se conformaram com as conclusões precipitadas, daqueles que não aceitaram a afirmação do Ministro da Justiça de que se tratava de um caso isolado extremamente normal”, frisou.

Pedido de exoneração

O documento inclui ainda um pedido de exoneração imediata do presidente da Funai, Marcelo Xavier da Silva, além da apuração do Ministério Público Federal (MPF) quanto a uma suposta ilicitude na conduta de Xavier e outros gestores da fundação. Vivi Reis aponta que o grupo teria atuado para facilitar a prática de garimpo e pesca ilegal em terras indígenas.

“A manutenção de Marcelo Xavier na presidência é uma afronta aos servidores da Funai, aos colaboradores da União dos Povos Indígenas do Vala do Javari (Univaja) e de outras entidades indigenistas. É um ultraje a todos que se preocupam com a vida humana e com os povos indígenas da Amazônia”, justifica a relatora.

O deputado José Ricardo (PT-AM), coordenador do colegiado, afirmou que o texto aprovado vai ser crucial para o novo governo, que assume em janeiro.

“Todas essas medidas são muito importantes para que a gente cobre do próximo governo que realmente fortaleça todas as estruturas do Estado; além do ministério, temos todas as outras áreas que são importantes para atender aos povos indígenas”, defendeu o deputado.

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A comissão externa da Câmara dos Deputados aprovou, no fim desta quarta-feira (30), o parecer final sobre as investigações do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips no Vale do Javari, interior do Amazonas. O parecer pede ainda a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar crimes na região.

A principal conclusão apresentada no documento é a necessidade de que o poder público aprofunde as investigações sobre práticas ilegais cometidas na área onde Bruno e Dom foram assassinados. De acordo com a relatora, deputada Vivi Reis (Psol-PA), há uma omissão planejada do governo em favor do crime organizado. Ela também destacou a falta de atuação das autoridades.

“Até o momento, não foi dada uma resposta adequada, e não vamos deixar que um tão repugnante crime caia no esquecimento. É preciso fazer justiça e honrar a memória de Bruno e Dom”, reforçou a parlamentar.

Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram no 5 de junho. Ambos estavam recebendo ameaças de pessoas que atuam ilegalmente na região.

Até o momento, Amarildo da Costa, Osney da Costa e Jefferson da Silva foram denunciados e presos pela participação no assassinato, mas ainda não foram ouvidos em juízo.

A relatora observa que a princípio a Polícia Federal negava a a existência de uma organização criminosa, baseando a investigação na atuação exclusiva dos três denunciados. No entanto, com pressão de indígenas e indigenistas, as investigações passaram a envolver outros delitos, como o tráfico de drogas.

“Está nítida a existência de associações que não financiam apenas a pesca ilegal, mas que também podem estar utilizando essa prática para lavagem de dinheiro proveniente de tráfico internacional de drogas”, ressaltou Vivi Reis.

Veja mais:

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No entanto, o parecer aponta um retrocesso no caso: no início de outubro, uma decisão da Justiça Federal no Amazonas concedeu ao suspeito apontado como mandante do crime, Rubens Villar Coelho, o “Colômbia”, o direito de cumprir prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. A relatora reiterou que essa decisão intensificou o clima de tensão e medo na região.

“A prisão do “Colômbia”  foi fruto do grito daqueles que não se conformaram com as conclusões precipitadas, daqueles que não aceitaram a afirmação do Ministro da Justiça de que se tratava de um caso isolado extremamente normal”, frisou.

Pedido de exoneração

O documento inclui ainda um pedido de exoneração imediata do presidente da Funai, Marcelo Xavier da Silva, além da apuração do Ministério Público Federal (MPF) quanto a uma suposta ilicitude na conduta de Xavier e outros gestores da fundação. Vivi Reis aponta que o grupo teria atuado para facilitar a prática de garimpo e pesca ilegal em terras indígenas.

“A manutenção de Marcelo Xavier na presidência é uma afronta aos servidores da Funai, aos colaboradores da União dos Povos Indígenas do Vala do Javari (Univaja) e de outras entidades indigenistas. É um ultraje a todos que se preocupam com a vida humana e com os povos indígenas da Amazônia”, justifica a relatora.

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“Todas essas medidas são muito importantes para que a gente cobre do próximo governo que realmente fortaleça todas as estruturas do Estado; além do ministério, temos todas as outras áreas que são importantes para atender aos povos indígenas”, defendeu o deputado.

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