O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, neste domingo (9/8) atendeu, praticamente, aos interesses de todos os que participaram e também de quem não participou. A avaliação é de analistas políticos ouvidos, nesta segunda-feira (10), pela Rede Onda Digital. Todos aproveitaram seus melhores momentos para reforçar suas narrativas diante dos potenciais eleitores.
O cientista político Carlos Santiago avaliou positivamente o debate, que considerou de alto nível por discutir temas importantes para a sociedade, como segurança, saúde, educação, feminicídio e agricultura, além de ter servido às estratégias eleitorais montadas pelos candidatos.
“Maria do Carmo (PL) reforçou sua imagem de boa administradora e de alguém que quer a mudança política. Omar Aziz (PSD) se colocou como alguém que já fez e pode fazer muito mais. Isael Munduruku (Rede) se apresentou como alguém de esquerda e postulou o protagonismo dos povos originários, e David Almeida (Avante) se colocou como um experiente realizador que pode levar para o Estado a gestão que fez no município”, analisou.
Para Santiago, o desenrolar do debate não indicou que os candidatos estivessem articulados para atacar o governador Roberto Cidade, que optou por não participar para não entrar, em suas palavras, em um “jogo combinado”.
Segundo o analista, prova da inexistência desse suposto acordo foram os fortes embates entre David Almeida e Maria do Carmo, que disputam contra Cidade uma vaga no segundo turno, pois estão tecnicamente empatados em segundo lugar, atrás de Omar Aziz.
Já o analista Helso do Carmo Ribeiro avalia que o forte engessamento do debate favoreceu o equilíbrio entre os candidatos. Isso permitiu que, ao final do programa, cada candidato assumisse para seu público ter se saído melhor no debate.
“O lance é que todos eles fazem recortes daquele momento em que foram enaltecidos. E esses recortes vão ser impulsionados, pelo menos até o dia 15. Mesmo engessado, para mim, quem vai (ao debate) ganha um ponto, e quem não vai perde esse ponto”, ponderou.
Posturas diferentes, públicos diferentes
Para a analista política Gabrielle Moura, cada candidato presente adotou uma postura distinta, alinhada ao seu eleitorado. Omar Aziz, por exemplo, já chegou esperando perguntas sobre a operação Maus Caminhos, que envolveu o nome dele e de familiares, e sobre a Cidade Universitária, obra que marca negativamente seu governo (2010-2014). As perguntas não vieram. Restou a ele oferecer propostas de mandato.
Isael Munduruku, na avaliação de Gabrielle, mostrou-se bastante incisivo ao criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto os embates mais diretos ficaram restritos às trocas de farpas entre Maria do Carmo e David Almeida.
“No fim, penso que Omar saiu confortável porque não foi confrontado, Maria do Carmo e David ficaram na troca de farpas e Isael se saiu bem. Roberto Cidade só participa dos debates a partir do dia 16, quando começa oficialmente o período de campanha, conforme prometeu”, analisou.
