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Desconfiança nas urnas foi plantada sem nenhuma evidência, diz ceo do instituto Ideia

A desconfiança de parte dos brasileiros em relação às urnas eletrônicas segue como um dos desafios para o processo eleitoral e para a confiança do eleitorado nas eleições de 2026. O tema foi tratado pela CEO do IDEIA Instituto de Pesquisa, Cila Schulman, em entrevista ao programa Roda Viva, exibido nesta segunda-feira (10).

Ao analisar o cenário da disputa presidencial, a pesquisadora afirmou que as pesquisas de opinião mostram um contingente relevante de brasileiros que ainda questiona a segurança do sistema eletrônico de votação. Segundo Schulman, embora a maioria demonstre algum nível de confiança, há também um grupo que diz confiar pouco ou não confiar nas urnas.

“Isso foi plantado em 2014 sem nenhuma evidência. A gente não tinha uma evidência de fraude, no entanto, a população brasileira começou a pensar nisso”, afirmou.

Para Schulman, a percepção de insegurança ganhou força nos últimos anos e passou a integrar o debate político, especialmente entre eleitores alinhados ao campo bolsonarista. Segundo ela, a maior parte dos entrevistados que manifestam desconfiança nas urnas é formada por eleitores de Flávio Bolsonaro.

Desconfiança não é o mesmo que comprovação de fraude

A discussão ocorre em um contexto no qual o sistema eletrônico de votação é submetido a diferentes mecanismos de fiscalização e auditoria. O Tribunal Superior Eleitoral informa que, desde a implantação das urnas eletrônicas, em 1996, não houve comprovação de fraude no sistema, e mantém procedimentos públicos de fiscalização, entre eles testes de integridade, verificação da autenticidade dos sistemas e análise do código-fonte.

Nas eleições de 2026, as regras do TSE também preveem testes de integridade das urnas, verificação da autenticidade dos sistemas instalados nos equipamentos e fiscalização das etapas do processo eleitoral, com acompanhamento de entidades fiscalizadoras e pessoas credenciadas.

Em dezembro de 2025, o próprio TSE divulgou os resultados do Teste Público de Segurança dos sistemas que serão usados nas eleições de 2026. Investigadores identificaram três achados em 29 planos de ataque executados, mas as comissões responsáveis concluíram que os resultados não comprometiam a integridade, o sigilo do voto ou o resultado das eleições.

Auditorias do Tribunal de Contas da União sobre as eleições de 2022 avaliaram diferentes etapas do processo eleitoral e, segundo o TSE, reafirmaram a segurança, a confiabilidade, a auditabilidade e a transparência do sistema.

Na avaliação de Cila Schulman, o debate sobre a possibilidade de fraude ganhou força principalmente a partir das eleições de 2014, apesar da ausência de evidências que comprovassem manipulação dos resultados. O TSE afirma que o resultado daquele pleito chegou a ser submetido a uma auditoria independente, solicitada por partido político, e que nenhuma irregularidade foi identificada.

A questão ganhou ainda mais espaço no debate político brasileiro nos anos seguintes e passou a ocupar lugar importante nas discussões sobre confiança nas instituições, especialmente durante as eleições de 2022 e na preparação para o pleito de 2026.


Leia mais

Presidente do TSE defende segurança das urnas eletrônicas

TSE explica por que não é possível alterar votos registrados nas urnas


O que dizem os mecanismos de auditoria

A urna eletrônica não depende apenas da confiança do eleitor. O sistema conta com mecanismos de fiscalização de diferentes etapas da votação, entre eles a análise do código-fonte, a verificação das assinaturas digitais, a conferência dos boletins de urna, a reimpressão de documentos e a possibilidade de recontagem por meio do Registro Digital do Voto, além de testes de integridade realizados por amostragem. O TSE destaca que esses testes têm como objetivo verificar se os votos inseridos na urna correspondem exatamente aos resultados produzidos pelo equipamento.

Existe, assim, uma diferença entre desconfiança da população e evidência de fraude. A primeira pode ser medida por pesquisas de opinião e representa uma percepção política e social; a segunda exige provas capazes de demonstrar manipulação efetiva do processo eleitoral.

A fala de Cila Schulman ocorre às vésperas da eleição presidencial de 2026, em meio a uma disputa marcada por forte polarização política. Nesse cenário, a confiança no sistema eleitoral tende a voltar a ser um tema central para partidos, candidatos e eleitores.

A questão não envolve apenas a tecnologia usada para registrar os votos, mas também a credibilidade das instituições responsáveis pela organização, fiscalização e totalização das eleições. Para o debate eleitoral, o desafio é distinguir percepções, desinformação, questionamentos legítimos e evidências concretas, especialmente em um ambiente em que conteúdos sobre supostas irregularidades podem alcançar milhões de pessoas nas redes sociais.

No Roda Viva, Schulman também discutiu a movimentação dos partidos na corrida presidencial, o papel das redes sociais no comportamento do eleitor e os desafios das candidaturas diante de um país politicamente dividido.

 

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A desconfiança de parte dos brasileiros em relação às urnas eletrônicas segue como um dos desafios para o processo eleitoral e para a confiança do eleitorado nas eleições de 2026. O tema foi tratado pela CEO do IDEIA Instituto de Pesquisa, Cila Schulman, em entrevista ao programa Roda Viva, exibido nesta segunda-feira (10).

Ao analisar o cenário da disputa presidencial, a pesquisadora afirmou que as pesquisas de opinião mostram um contingente relevante de brasileiros que ainda questiona a segurança do sistema eletrônico de votação. Segundo Schulman, embora a maioria demonstre algum nível de confiança, há também um grupo que diz confiar pouco ou não confiar nas urnas.

“Isso foi plantado em 2014 sem nenhuma evidência. A gente não tinha uma evidência de fraude, no entanto, a população brasileira começou a pensar nisso”, afirmou.

Para Schulman, a percepção de insegurança ganhou força nos últimos anos e passou a integrar o debate político, especialmente entre eleitores alinhados ao campo bolsonarista. Segundo ela, a maior parte dos entrevistados que manifestam desconfiança nas urnas é formada por eleitores de Flávio Bolsonaro.

Desconfiança não é o mesmo que comprovação de fraude

A discussão ocorre em um contexto no qual o sistema eletrônico de votação é submetido a diferentes mecanismos de fiscalização e auditoria. O Tribunal Superior Eleitoral informa que, desde a implantação das urnas eletrônicas, em 1996, não houve comprovação de fraude no sistema, e mantém procedimentos públicos de fiscalização, entre eles testes de integridade, verificação da autenticidade dos sistemas e análise do código-fonte.

Nas eleições de 2026, as regras do TSE também preveem testes de integridade das urnas, verificação da autenticidade dos sistemas instalados nos equipamentos e fiscalização das etapas do processo eleitoral, com acompanhamento de entidades fiscalizadoras e pessoas credenciadas.

Em dezembro de 2025, o próprio TSE divulgou os resultados do Teste Público de Segurança dos sistemas que serão usados nas eleições de 2026. Investigadores identificaram três achados em 29 planos de ataque executados, mas as comissões responsáveis concluíram que os resultados não comprometiam a integridade, o sigilo do voto ou o resultado das eleições.

Auditorias do Tribunal de Contas da União sobre as eleições de 2022 avaliaram diferentes etapas do processo eleitoral e, segundo o TSE, reafirmaram a segurança, a confiabilidade, a auditabilidade e a transparência do sistema.

Na avaliação de Cila Schulman, o debate sobre a possibilidade de fraude ganhou força principalmente a partir das eleições de 2014, apesar da ausência de evidências que comprovassem manipulação dos resultados. O TSE afirma que o resultado daquele pleito chegou a ser submetido a uma auditoria independente, solicitada por partido político, e que nenhuma irregularidade foi identificada.

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