O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a dizer que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, age como “imperador” ao comentar a política tarifária adotada pelo governo norte-americano.
Em entrevista à CNN Internacional nesta segunda-feira (21), véspera da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula reafirmou que pretende buscar uma solução negociada para as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Ao comentar a forma como Trump conduz a política comercial dos Estados Unidos, Lula afirmou discordar do que classificou como uma lógica baseada na força.
“Ele (Trump) age como imperador. É uma forma de governar que eu não concordo, é a lei mais forte, eu não concordo com isso”, disse o presidente.
Apesar das críticas, Lula afirmou que o Brasil não pretende entrar em uma guerra tarifária com os Estados Unidos. Segundo ele, a prioridade continua sendo a negociação entre os dois países.
“Eu não quero entrar em uma guerra de tarifas com os EUA e nem com qualquer outro país. O que eu quero é negociar e acredito nas negociações”, afirmou.
Brasil pode recorrer à reciprocidade
Lula também afirmou que, caso as negociações não produzam resultados, o Brasil poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao país adotar medidas de resposta a ações comerciais consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros.
As conversas entre os dois governos foram retomadas em agosto, depois de um telefonema entre Lula e Trump. Na ocasião, segundo o governo brasileiro, Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais entre os países e propôs que as equipes voltassem a negociar.
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Em 31 de agosto, representantes do Brasil e dos Estados Unidos voltaram a se reunir para tratar das tarifas. O encontro envolveu o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Tarifas chegam a 37,5% para parte dos produtos
As medidas adotadas pelos Estados Unidos atingem diferentes grupos de produtos brasileiros. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 16,5% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas simultaneamente a duas medidas tarifárias e podem sofrer uma sobretaxa acumulada de 37,5%.
Entre os produtos alcançados estão máquinas e equipamentos, diversos tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções. Por outro lado, o próprio governo brasileiro informa que cerca de 52,7% das exportações para os Estados Unidos não estão sujeitas às sobretaxas das Seções 301 e 232, permanecendo submetidas apenas às tarifas ordinárias norte-americanas.
Durante a entrevista, Lula voltou a contestar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das medidas e afirmou que as tarifas foram baseadas em alegações que considera falsas.
Em agosto, após a conversa telefônica entre os dois presidentes, o governo brasileiro informou que Lula havia contestado as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos, incluindo alegações relacionadas a desmatamento, trabalho forçado e outras práticas comerciais.
Lula participa da Assembleia Geral da ONU
Lula está em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU. O presidente brasileiro fará o discurso de abertura do debate geral nesta terça-feira (22), seguindo a tradição de o Brasil ser o primeiro país a discursar na sessão.
A agenda do presidente ocorre em meio às discussões sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos. Segundo informações divulgadas antes da viagem, Lula deverá defender o multilateralismo e a soberania nacional durante o discurso, sem citar diretamente Trump.
As negociações comerciais entre os dois países devem continuar nas próximas semanas, enquanto o governo brasileiro busca reduzir o impacto das tarifas sobre as exportações nacionais.
