O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), editou a versão final de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, segundo o jornal O Estado de S. Paulo revelou nesta terça-feira (1º/9).
A informação foi extraída de metadados de um documento apreendido no celular de Vorcaro pela Polícia Federal em novembro de 2025, durante as investigações sobre o banqueiro.
Os registros técnicos do arquivo indicam que a última edição foi feita em um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O documento teria sido modificado às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, cerca de 1h40 após Vorcaro devolver a minuta com revisões.
Contrato e negociações
O contrato previa pagamento em 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, totalizando R$ 108 milhões. A negociação começou em janeiro de 2024, quando Viviane Barci de Moraes enviou a minuta a Vorcaro. Após os ajustes feitos pelo banqueiro, a versão final foi submetida ao ministro.

Os pagamentos foram interrompidos após a primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, quando ele tentava embarcar para Dubai. Ele foi solto 11 dias depois, mas voltou a ser preso em março de 2026. Ainda em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Documentos enviados à CPI do Crime Organizado apontam repasses ao escritório entre 2024 e 2025. A declaração de Imposto de Renda do Master indica R$ 80.223.653,84 pagos ao escritório no período.
Leia mais
Horário eleitoral ainda convence? Manauaras dividem opiniões sobre propaganda na TV
União Europeia suspende importação de carne, frango, ovos e mel do Brasil
Posicionamento do escritório
Em nota à imprensa, o escritório Barci de Moraes afirmou ter consultado o ministro do STF, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar “eventuais impedimentos legais” antes da assinatura do contrato.
“O setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação. Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”, diz a nota.
A defesa do ministro não se manifestou diretamente sobre a edição do documento.
