Mensagens obtidas e analisadas pela Polícia Federal apontam uma relação próxima entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O material foi publicado pelo Estadão.
Em uma das mensagens, Vorcaro perguntou a Moraes se precisaria sair do país. O questionamento foi feito dois dias antes de o banqueiro ser preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu Vorcaro a Moraes em 15 de novembro de 2025.
Como as mensagens eram trocadas
Segundo a PF, as mensagens eram enviadas da seguinte forma: Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, tirava print e enviava como mensagem de visualização única no WhatsApp. De acordo com a investigação, Moraes respondia da mesma maneira. As conversas em si não foram recuperadas, apenas as anotações.
Vorcaro foi alvo de uma operação que mirava a venda de títulos de crédito falsos. A instituição emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado, retorno que, segundo as investigações da época, era irreal.
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Segundo investigadores, o conteúdo da conversa sugere que Moraes repassava a Vorcaro detalhes sensíveis sobre o andamento inicial da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela Polícia Federal.
Na mesma reportagem do Estadão, publicada nesta terça-feira (1º/9), foi revelado, por análise de metadados, que Moraes editou a versão final de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro.
Em nota à imprensa, o escritório Barci de Moraes afirmou ter consultado o ministro do STF, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar “eventuais impedimentos legais” antes da assinatura do contrato.
