Uma operação das forças de segurança nacional no município de Japurá, no Amazonas, que inutilizou 50 dragas usadas no garimpo ilegal, gerou forte repercussão entre políticos do estado. As ações, realizadas pelo Comando Conjunto Harpia, dentro da Operação Ágata Amazônia 2026, também apreenderam armas, munições e mercúrio. No entanto, moradores e extrativistas denunciam supostos episódios de truculência, incluindo explosões e casas em chamas durante a semana.
O senador Plínio Valério (PSDB) publicou um vídeo nas redes sociais criticando duramente a abordagem das forças de segurança realizada na terça-feira (12).
“Outra vez, e infelizmente não será a última, a força nacional dessa vez está no município de Japurá, com toda a truculência. Vocês estão vendo aí o que eles estão fazendo lá, poluindo o ar, poluindo a água, poluindo o meio ambiente em nome de preservar o meio ambiente”, afirmou.
O senador classificou as ações como uma tentativa de “impor terror” à população. “Eles têm que fazer no porto, que é para afrontar a população, para botar medo, para impor terror. E eles conseguem impor terror, sim, de mexer com os idosos, mexe com a família e principalmente com as crianças”, disse.
“Isso aí não são dragas financiadas pelo narcotráfico. São dragas de famílias que fazem isso há décadas. Vou fazer o que me cabe: denunciar, combater e entrar com projeto de lei para legalizar a atividade do extrativismo familiar”, completou.
Repercussão na Aleam
Durante a sessão da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta quarta-feira (13), o deputado Wilker Barreto (PSD) também se manifestou sobre o caso.
Ele pediu regulamentação da exploração artesanal de ouro e criticou a forma como a operação foi conduzida. “Ontem Japurá viveu momentos de pânico, com explosões de balsas de garimpo no porto da cidade. Não poderia ter, naquele momento, puxado as balsas para o meio do rio, garantindo a integridade da população?”, questionou.
“Será que não é possível trabalhar uma regularização, uma exploração de forma equilibrada, com desenvolvimento econômico, ecológico e ambiental? Será que nós temos que tratar todos como bandidos?”, indagou.
Wilker Barreto também fez um apelo à Polícia Federal para que não exploda balsas no porto da cidade, evitando pânico e deixando destroços que agora “vão ficar sendo a paisagem do município de Japurá”.
A operação, que contou com Ibama, Polícia Federal, Exército e Polícia Militar, não registrou feridos, segundo as Forças Armadas. O governo do estado ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. A reportagem também entrou em connttao com a PF, mas até a publicação desta matéria não houve respostas. O espaço segue aberto para posicionamentos.