O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta, empresa dona do WhatsApp, Facebook e Instagram, armazene e preserve os dados de perfis que teriam impulsionado anúncios contra o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão foi assinada na última sexta-feira (24) e tramita em sigilo, atendendo a pedido do Partido Liberal.
Perfis pequenos gastaram valores altos em anúncios
A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou ao TSE um documento que aponta que perfis com cerca de 20 a 30 seguidores gastaram, individualmente, aproximadamente R$ 200 mil em anúncios contra o senador. Segundo os advogados do PL, o volume de impulsionamentos é inédito, e os pagamentos teriam sido feitos em diferentes moedas, como reais, dólares e pesos colombianos.
“A campanha, por acidente, em fevereiro, quando estava acompanhando os anunciantes que contratam impulsionamento na plataforma Meta, detectou que alguns perfis muito pequenos, perfis recém-criados, com 30, 40 seguidores, estavam fazendo contratações de 200 mil reais. Muito atípico. Isso nos levantou um sinal de alerta”, afirmou Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da pré-campanha de Flávio, em entrevista à imprensa no dia 20 de julho.
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PL aponta estrutura de perfis “fantasmas”
De acordo com a ação apresentada pelo PL, a estrutura funcionava como uma espécie de “milícia digital”, formada por perfis “fantasmas”. Segundo o partido, essas contas eram temporárias, tinham pouca audiência orgânica e eram utilizadas principalmente para impulsionar anúncios.
Um levantamento apresentado pelo PL identificou 51 páginas com essas características. Juntas, ainda segundo a legenda, elas teriam publicado 4.607 anúncios patrocinados entre março e o fim de junho, que somaram cerca de 250 milhões de visualizações.
Caso tramita em sigilo
A decisão do ministro Kassio Nunes Marques visa preservar as informações desses perfis para que possam ser investigados, caso a Justiça Eleitoral entenda ser necessário. A tramitação em sigilo indica a sensibilidade do caso e o potencial impacto na disputa eleitoral de 2026.
