A quatro dias da abertura do período destinado pela Legislação Eleitoral às convenções partidárias que oficializam as candidaturas, o tabuleiro político amazonense segue indefinido. Das cinco pré-candidaturas ao Governo do Estado, apenas uma tem chapa majoritária completamente fechada. Nas outras quatro, ainda faltam nomes certos para os postos de vice e para as duas vagas ao Senado, além de dúvidas sobre a própria viabilidade de uma das candidaturas.
PSD: Omar Aziz já tem vice, mas segunda vaga ao Senado segue em aberto
O senador Omar Aziz (PSD) é hoje o pré-candidato mais bem-posicionado nas pesquisas e o único, entre os favoritos, que já indicou solução para o posto de vice: a deputada estadual Alessandra Campelo, que deixou o Podemos para se filiar ao PSD em abril, comanda a Procuradoria Especial da Mulher na Assembleia Legislativa e é favorita ao posto, no qual teria a missão de ampliar o apelo do grupo entre o eleitorado feminino.
Essa posição, contudo, tem sido ameaçada por dois movimentos do senador Eduardo Braga (MDB). O primeiro tirou o ex-deputado Marcelo Ramos da disputa pelo Senado, o que pode despertar no PT o desejo de indicar o vice na chapa de Omar. O segundo envolve a mediação com o ex-prefeito David Almeida, que poderia abdicar da candidatura e retomar a indicação da filha, Fernanda Aryel Almeida (Avante), para o posto de vice.
Falta também fechar a dupla ao Senado. Omar apoia a reeleição de Braga, disparado na liderança de todas as pesquisas recentes, mas o grupo ainda não definiu quem disputará a segunda vaga ao lado dele, problema que, como mostram as articulações dos últimos dias, está longe de ser exclusivo do PSD.
PL: a candidatura mais instável do pleito
Se há uma chapa sob risco real de não sair do papel, é a da empresária Maria do Carmo Seffair (PL). Lançada oficialmente em 22 de abril do ano passado, a pré-candidatura enfrenta um racha interno público: o deputado estadual Delegado Péricles se recusou a declarar apoio à correligionária, e o presidente estadual do partido, Alfredo Nascimento, é apontado por aliados como alguém que trabalha para compor o PL com outra sigla, isolando a pré-candidata.
O agravante é que a crise não é só interna. Segundo apurações dos últimos dias, o União Brasil articula tirar o deputado federal Capitão Alberto Neto, hoje o único pré-candidato do PL ao Senado, da disputa, para torná-lo vice na chapa de reeleição do governador Roberto Cidade.
Se a manobra se confirmar, o ex-governador Wilson Lima passaria a ser o nome único da direita ao Senado, e a candidatura de Maria do Carmo ficaria sem vice, sem puxador de votos e, na prática enfraquecida politicamente. Alberto Neto já negou publicamente a mudança, mas as tratativas seguem em curso em Brasília.
Avante: David cresce, mas ainda não fechou vice nem dupla ao Senado
O ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) construiu uma coligação de cinco partidos, Avante, PDT, Agir, DC e a federação PRD/Solidariedade, e já apresentou uma chapa proporcional robusta, mas segue sem anunciar o candidato a vice, definição que só deve ocorrer em convenção. O nome de Marcos Rotta (Agir), ex-chefe da Casa Civil de Almeida na Prefeitura, desponta como opção para uma das vagas ao Senado, mas o segundo nome permanece em aberto.
Curiosamente, Almeida e Omar Aziz eram aliados até meados de 2025, e chegou a se cogitar que a filha do então prefeito fosse vice numa chapa liderada por Aziz. A ruptura entre os dois, consolidada no fim daquele ano, reconfigurou o tabuleiro e hoje os transformou em adversários diretos pelo governo.
União Brasil: Cidade busca reeleição com vice sob risco de troca
O governador Roberto Cidade (União Brasil), que assumiu o cargo por eleição indireta na Assembleia Legislativa em maio, já oficializou a pré-candidatura à reeleição, mas o nome do atual vice-governador, Serafim Corrêa (PSB), não está garantido até a convenção.
Há uma movimentação para trazer Alberto Neto para a vaga de vice, o que turbinaria a chapa e facilitaria o trabalho de Wilson Lima na briga por uma vaga no Senado.
No Senado, Cidade não tem a segunda vaga da coligação solucionada, e o cenário mais provável, segundo as movimentações recentes, é de que o grupo desista de lançar um segundo nome e concentre esforços em garantir a vaga única de Wilson Lima, diante da liderança consolidada de Eduardo Braga.
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PSTU: a única chapa majoritária fechada
Entre as cinco pré-candidaturas, apenas o PSTU tem governador e vice cem por cento resolvidos: o professor Gilberto Vasconcelos e a advogada Juliana Frota, que serão oficializados em convenção marcada para 25 de julho.
O partido afirma pretender lançar candidaturas também ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa, mas, até o momento, nenhum nome ao Senado foi tornado público, o que sugere que mesmo o bloco mais organizado do pleito ainda tem uma peça pendente.
O que esse quadro revela
O retrato geral é de um Estado em que a indefinição do vice e da segunda vaga ao Senado deixou de ser um detalhe de calendário eleitoral para se tornar sintoma de instabilidade nas próprias alianças.
Em pelo menos dois casos, PL e União Brasil, a solução de um problema, o vice de Cidade, está diretamente ligada ao agravamento de outro, o esvaziamento de Maria do Carmo, o que sugere que os movimentos sugerem uma aproximação pontual entre setores dos dois grupos.
Com o prazo das convenções batendo à porta, e o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral fechando em 15 de agosto, a expectativa é que boa parte dessas indefinições, vices, segundas vagas ao Senado e a própria sobrevivência da candidatura de Maria do Carmo, seja resolvida em conversas que correm, nestes dias, em lugares distantes de Manaus.
