O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (22) que retirou as credenciais diplomáticas de um servidor dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília. A medida foi tomada com base no princípio da reciprocidade, após o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho ter suas credenciais retiradas pelo governo americano.
“Eu retirei com pesar as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, disse Andrei em entrevista ao Estúdio i da GloboNews. Trata-se de um policial americano que, até a retirada das credenciais, trabalhava dentro de uma unidade da PF na capital federal. Sem as credenciais, o agente perde o acesso à unidade em que trabalhava e às bases de dados usadas para cooperação entre as polícias dos dois países.
Andrei esclareceu, no entanto, que o agente americano não será expulso do Brasil. “Tanto o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós, Polícia Federal, não vamos expulsar ninguém do Brasil. Não é nosso papel”, afirmou. O diretor disse que o delegado brasileiro voltou ao Brasil para que os fatos sejam esclarecidos.
O caso teve início na última segunda-feira (20), quando os Estados Unidos ordenaram que o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho deixasse o país. A medida foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano. Sem citar nomes, o governo americano afirmou em uma rede social que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” no país.
A autoridade citada é o delegado da PF Marcelo Ivo, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas norte-americano (ICE). O delegado brasileiro foi um dos responsáveis pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). O caso segue sob análise do Itamaraty.
