Os deputados que se movimentam nos bastidores para concorrer à Presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas não estão gostando da avaliação jurídica que está sendo veiculada na imprensa amazonense, garantindo que não será preciso fazer eleição para a escolha do substituto de Roberto Cidade (União Brasil), agora governador, uma vez que existem as vice-presidências para preencher o cargo em caso de vacância.
Esse entendimento beneficia o presidente interino da Casa, Adjuto Afonso (União Brasil), e tira de tempo deputados como Felipe Souza (Podemos), que manifestou o desejo de disputar a eleição, e Carlinhos Bessa (União Brasil), visto como o mais articulado dentre os possíveis candidatos por ser um dos responsáveis pelas vitórias de Roberto Cidade nas disputas internas da Aleam.
Assim que Cidade assumiu o governo do Estado, no último dia 4, Adjuto confirmou que haveria eleição e que ele já estava como pré-candidato ao posto. A fala abriu concorrência, e tanto Felipe quanto Carlinhos começaram a se mover nos bastidores em busca de apoio dos colegas para chegar ao poder máximo da Casa, movimentos que podem ser jogados fora agora com essa nova interpretação de ascensão automática dos vice-presidentes.
Em conversa com a Onda Digital, o deputado Dan Câmara (Republicanos) havia adiantado que o Regimento Interno da Aleam comportava as duas interpretações: a de que é necessária uma eleição para a escolha do novo presidente, mas também a ascensão seguida dos vices, abrindo eleição apenas para o cargo de terceiro vice-presidente.
Por este último entendimento, Adjuto, originalmente primeiro vice, é efetivado na presidência; Abdalla Fraxe (Avante) é promovido de segundo para primeiro-vice, e Joana Darc (União Brasil) deixa a terceira vice para assumir o posto de Abdalla.
Na hierarquia da Mesa Diretora, formada por nove cargos, após a terceira vice-presidência vem a secretária-geral, hoje ocupada por Alessandra Campelo (PSD), que, devido à natureza dessa função, responsável pela administração da Casa, dificilmente gostaria de pular para a terceira vice-presidência, quase um cargo decorativo.
Com o impasse estabelecido, as conversas de bastidores seguem quentes e com a intermediação do governador Roberto Cidade, que ainda segue com muita influência na Aleam. Ele tenta um acordo para acomodar todos os grupos e manter a tranquilidade para governar sem atropelos e poder construir uma candidatura a reeleição em outubro.