Uma expedição científica no oeste do Amazonas identificou 50 sítios arqueológicos ao longo do rio Japurá, próximo à fronteira com a Colômbia, o que revela novas evidências sobre a ocupação humana na região amazônica ao longo dos séculos.

A pesquisa, conduzida pelo Instituto Mamirauá, percorreu cerca de 200 quilômetros entre fevereiro e março, registrando gravuras rupestres, cerâmicas antigas, áreas de terra preta e até vestígios ligados ao Ciclo da Borracha. Para os pesquisadores, os achados funcionam como uma “linha do tempo” que ajuda a compreender a presença humana na floresta.
A iniciativa integra uma ação do Ministério do Meio Ambiente e busca reunir dados ambientais, arqueológicos e socioculturais para orientar políticas públicas de conservação e valorização do patrimônio histórico da Amazônia.
Os resultados serão encaminhados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com o objetivo de subsidiar estratégias de proteção para áreas que ainda não possuem destinação definida.
Outro destaque da expedição foi o papel fundamental das comunidades locais. Povos indígenas e ribeirinhos atuaram diretamente na pesquisa, guiando os cientistas até os sítios e compartilhando conhecimentos tradicionais sobre a ocupação da região.
Além do Instituto Mamirauá, participam da iniciativa instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.
Os achados reforçam a importância da Amazônia não apenas como patrimônio ambiental, mas também como um território de rica e antiga ocupação humana, essencial para entender a história do Brasil.