
A Polícia Federal prendeu em flagrante, na tarde de segunda-feira (23/3), uma mulher suspeita de envolvimento no caso durante uma operação em Campinas, interior de SP. A suspeita é Soledad Palameta Miller, professora doutora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas.
A professora é suspeita de roubar material biológico armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da universidade. Especificamente, amostras de vírus retiradas de uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos e é, atualmente, o nível mais alto possível para se estudar agentes infecciosos (como vírus e bactérias) em laboratórios no Brasil.
Durante a operação, o material subtraído foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para análise, com apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo a Polícia Federal, as investigações buscam esclarecer as circunstâncias do caso. A investigação aponta que a suspeita teve ajuda de terceiros. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão e o caso transcorre em segredo de Justiça.
A Unicamp informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso.
A defesa da professora afirma que não há materialidade na acusação e que ela utilizava o laboratório do Instituto de Biologia, de onde as amostras foram retiradas, por não possuir estrutura própria. Ela foi liberada e vai responder ao processo cumprindo medidas cautelares. Ela vai responder por expor a perigo a vida e saúde de outras pessoas, por transporte irregular de organismo geneticamente modificado e por fraude processual, de acordo com a Justiça Federal.