INSS concede auxílio-doença à cozinheira que trabalhou na mansão de Neymar

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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu auxílio-doença a uma cozinheira de 41 anos que trabalhou na mansão do jogador Neymar Jr., em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio de Janeiro. Documentos obtidos mostram que a funcionária foi afastada do trabalho em novembro do ano passado, após apresentar uma série de atestados médicos, e recebeu o benefício por cerca de 14 dias.

A cozinheira trabalhou de julho a novembro na residência do atacante da Seleção Brasileira. De acordo com a ação movida pela defesa, apesar do afastamento, houve rescisão indireta do contrato em 28 de fevereiro deste ano, encerrando o vínculo entre as partes. Em um dos benefícios por incapacidade temporária, consta comunicação oficial assinada pelo então presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, informando a concessão.

“O início do benefício foi fixado em 11/12/2025 e a cessação será em 25/12/2025. Caso não se sinta apto para o trabalho ou atividade habitual, a partir de 14/01/2026, poderá pedir novo benefício pelo Meu INSS ou pela Central 135”, diz o documento.

Segundo a cozinheira, o esforço físico para carregar carnes e outros utensílios pesados na casa do jogador teria provocado problemas na coluna e inflamação no quadril. Ela afirma ter realizado consultas e exames médicos para diagnosticar as lesões e pede que Neymar lhe pague pensão. Os advogados da trabalhadora afirmam que, ao carregar carnes e outros utensílios pesados, ela desenvolveu os problemas de saúde.

O horário previsto em contrato era das 7h às 17h, de segunda a quinta-feira, e das 7h às 16h às sextas-feiras. Segundo o processo, porém, a jornada não era cumprida nesses moldes, e a trabalhadora frequentemente extrapolava o horário, chegando a atuar mais de 14 horas por dia, em média. A funcionária afirma que, em algumas ocasiões, estendeu a jornada até as 23h e até a meia-noite, preparando refeições do café da manhã ao jantar para o atleta e convidados.

A trabalhadora relatou que chegou a cozinhar para até 150 pessoas diariamente. Ela atuou na residência oficial do jogador, conhecida como Casa Hotel Portobello, além de um condomínio ao lado, o Condomínio Portobello.

Embora tivesse salário registrado de cerca de R$ 4 mil, a cozinheira afirma que recebia, em média, R$ 7,5 mil mensais com horas extras e adicionais. Segundo a ação, mesmo contratada para trabalhar apenas durante a semana, ela também teria desempenhado funções aos fins de semana, especialmente aos domingos.

A defesa da profissional afirma na petição que a cozinheira não usufruiu regularmente do intervalo intrajornada. Durante todo o pacto laboral, ela era obrigada a registrar o ponto relativo ao intervalo, embora permanecesse em efetivo trabalho nesse período. Nos termos do artigo 71 da CLT, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, uma hora para jornadas superiores a seis horas de trabalho.

Ao todo, a cozinheira pede que Neymar e a empresa terceirizada que a contratou para prestar serviços na mansão paguem R$ 262 mil, valor que inclui verbas rescisórias, FGTS e multa, pagamento de horas extras e intervalos, indenização por dano moral, além de despesas médicas e pensão.

(Foto: Reprodução)
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