
Após homologação, no final de março, do acordo entre o governo federal, por meio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e a Amazonas Energia, a empresa Âmbar Energia assumiu na terça (14/4) a distribuição da energia elétrica no Amazonas. A Âmbar pertence ao grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e assume o sistema com um plano aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica de quase R$ 10 bilhões.
Esse valor, no entanto, deverá ser usado para amortizar dívidas da concessionária de energia: a Amazonas Energia, até então administrada pelo grupo amazonense Oliveira, acumula praticamente este mesmo valor em dívidas. A empresa operava sob risco de perder a concessão devido à incapacidade de reverter prejuízos acumulados ao longo dos últimos anos.
A Amazonas Energia é vista como um dos ativos mais difíceis do setor elétrico brasileiro, devido à complexidade logística de atender regiões isoladas da floresta amazônica e aos altos custos operacionais. A maioria dos municípios do estado não está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
O J&F é um dos maiores conglomerados do país, que inclui a JBS, a maior empresa frigorífica de carnes do mundo. Joesley e Wesley ficaram famosos por se envolverem na operação Lava Jato. Em 2017, Joesley Batista gravou uma conversa comprometedora com o ex-presidente Michel Temer (MDB), na qual sugere que o ex-presidente desse aval para compra de silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ), a fim de evitar que ele fechasse um acordo de delação premiada sobre informações da Lava Jato.
Outro episódio que os deixou “famosos” ao serem presos, acusados crime de insider trading [informação privilegiada], sob a suspeita de usarem informações obtidas por meio de seus acordos de delação premiada, para vender e comprar ações da JBS no mercado financeiro.