A Polícia Federal identificou seis novas fintechs sediadas na Faria Lima, o centro financeiro do país, que estariam atuando como braços financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC). A descoberta foi feita durante a segunda fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Fluxo Oculto, deflagrada na manhã desta quinta-feira (28) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco, e pela Receita Federal.
As investigações apontam que o esquema teria movimentado mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Por meio de contas bolsão, blindagem patrimonial e depósitos em espécie, a facção teria ampliado suas ramificações financeiras. Relatórios de inteligência apontaram movimentações atípicas de quase R$ 4 bilhões, com as fintechs funcionando como “dutos financeiros” do grupo criminoso.
Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Entre os alvos, estão instituições financeiras da Faria Lima.
O esquema, liderado por Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”), utilizava fintechs para lavar dinheiro da adulteração de combustíveis e sonegação de impostos, mantendo conexões com o PCC. Os dois estão foragidos desde agosto do ano passado. Uma proposta de delação premiada apresentada por eles foi rejeitada pelo MP, que apontou omissões sobre lavagem de dinheiro e corrupção policial.

