A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan reacendeu o debate sobre segurança e eficácia dos imunizantes no Brasil.

A decisão do Ministério da Saúde ocorreu após o registro de 42 casos de reações graves e inesperadas entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas. Dois óbitos suspeitos estão sendo investigados, mas ainda não há comprovação de que tenham sido causados pela vacina.
Em meio à repercussão, o médico sanitarista Gonzalo Vecina, fundador e ex-presidente da Anvisa, afirmou, em entrevista à BBC Brasil na quarta-feira (10), que o imunizante teria condições de ser aprovado “em qualquer lugar do mundo”.
Segundo ele, os estudos clínicos envolveram quase 16 mil voluntários e não registraram internações relacionadas à vacina durante a fase de testes.
Vecina destacou que situações raras podem surgir quando um imunizante passa a ser aplicado em larga escala. Por isso, a investigação em andamento será fundamental para esclarecer se há relação entre os eventos adversos e a vacinação.
A vacina do Butantan foi desenvolvida ao longo de aproximadamente 20 anos e tem como diferencial a aplicação em dose única. Nos estudos, apresentou eficácia de 65% contra a dengue e de 80,5% contra casos graves da doença.
Enquanto as investigações continuam, as doses permanecem armazenadas e a vacinação segue suspensa. Já a vacina Qdenga continua sendo aplicada normalmente pelo SUS.
Autoridades de saúde reforçam que a suspensão é uma medida preventiva e que a segurança da população será o principal critério para decidir sobre uma eventual retomada da vacinação.