O avanço das apostas esportivas on-line no Brasil já provoca impactos diretos na saúde pública e no endividamento da população. Dados apresentados pelo Ministério da Saúde revelam que a procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) por dependência em jogos on-line cresceu quase 140% nos últimos cinco anos.
As informações foram divulgadas durante audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados. No mesmo debate, o Ministério da Fazenda informou que mais de 500 mil pessoas solicitaram autoexclusão das plataformas de apostas por tempo indeterminado por meio da ferramenta disponível no gov.br.
O deputado federal Vander Loubet, que solicitou a audiência, apoia o Projeto de Lei 1808/26, que propõe a proibição das apostas on-line no país.
Representando o Ministério da Saúde, Marcelo Dias afirmou que o governo precisou criar um serviço específico dentro do Meu SUS Digital para atender pessoas com transtornos relacionados ao vício em apostas. Antes do atendimento, os usuários passam por um autoteste que mede o nível de dependência.
Segundo ele, o crescimento desenfreado das bets durante a pandemia da Covid-19 contribuiu para o agravamento do problema no Brasil.
“Ela começa ganhando, e isso a estimula a continuar jogando. Quando as perdas começam, entra em ação um mecanismo comum nos transtornos relacionados a jogos: a tentativa de recuperar o dinheiro perdido”, explicou.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o Brasil tinha mais de 25 milhões de apostadores em 2025, o equivalente a cerca de 18% da população adulta. O perfil predominante é de homens entre 18 e 50 anos.
Ainda segundo os dados oficiais, os brasileiros perderam aproximadamente R$ 38 bilhões em apostas no ano passado. Enquanto metade dos apostadores gastou até R$ 50 em algum mês de 2025, cerca de 20% desembolsaram valores próximos de R$ 1 mil.
