O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (GAECO-SP), afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas é “muito grave” e pode trazer prejuízos ao Brasil. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado americano nesta quinta-feira (28).
“Eu não tenho dúvida, vai causar problemas de toda ordem no Brasil e não vejo nenhum benefício prático que essa classificação possa trazer. Há o risco muito grande dos Estados Unidos quererem fazer algum tipo de ação militar secreta aqui dentro do Brasil, como fez no México e na Venezuela”, afirmou Gakiya.
O promotor explicou que, com a nova classificação, as investigações saem da esfera do FBI e da DEA e passam a ser conduzidas pela CIA e por forças militares americanas, sob sigilo. “Provavelmente nós vamos ter um prejuízo na troca de informações”, disse.
Gakiya também alertou que o sistema financeiro brasileiro pode ser prejudicado. Segundo ele, a classificação pode levar à aplicação de sanções contra bancos que indiretamente receberam recursos de esquemas criminosos, como o da Operação Carbono Oculto, que revelou o uso de fintechs e postos de combustíveis pelo PCC para lavagem de dinheiro.
Gakiya é o responsável pelas investigações que resultaram na prisão da influenciadora Deolane Bezerra. Ele vive sob escolta policial 24 horas e tem a “morte decretada” pelo PCC há mais de 20 anos. A classificação das facções como terroristas começa a valer em 5 de junho.
