Há cerca de uma década, algo que parecia impossível aconteceu. O telespectador passou a utilizar cada vez menos a pirataria para consumir músicas, filmes e séries, em troca de pagar uma taxa mensal para ter acesso ao conteúdo de forma legal e segura. Serviços como Spotify e Netflix, até então desconhecidos da grande massa, tornaram-se a salvação de um mercado de entretenimento que não conseguia combater a pirataria.
O sucesso da Netflix junto ao público não demorou a abrir os olhos dos principais estúdios de cinema para um fato óbvio. No início, Warner, Fox, Disney, Universal, Paramount e outros gigantes do entretenimento colocavam seus conteúdos na plataforma, dividindo os lucros com a Netflix. Mas ficou evidente que era possível cada uma dessas empresas abrir seu próprio serviço e lucrar com assinaturas de seus próprios conteúdos. Como resultado, ainda em 2018, os principais estúdios deixaram a Netflix de lado e passaram a ser concorrentes diretos da gigante.
O que antes era bom para o consumidor final tornou-se um pesadelo nos dias atuais. Os serviços de streaming, que antes eram uma opção viável e econômica para assistir a séries e filmes, viraram mais um peso no bolso do cidadão médio. No Brasil, por exemplo, a adesão a serviços clandestinos, como os famosos IPTV, tornou-se mais viável. Isso não apenas coloca em risco o modelo de negócios do streaming, como também expõe o próprio consumidor a perigos.

Hoje, no Brasil, manter a assinatura dos principais serviços pode ser extremamente caro. Considerando apenas os planos mais básicos, com anúncios, a Netflix cobra R$ 20,90; o Disney+, R$ 27,99; a HBO Max, R$ 29,90; e o Prime Video custa R$ 19,90 por mês, com cobrança adicional de R$ 10,00 para remover anúncios. Somando apenas as opções mais baratas dessas quatro plataformas, o usuário já chega a R$ 98,69 mensais. Ao incluir serviços de música, como Deezer e Spotify, o valor ultrapassa R$ 100. E o custo aumenta ainda mais para quem assina serviços de jogos, como Xbox Game Pass e PlayStation Plus, cujas assinaturas anuais podem ultrapassar R$ 500,00.
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Em novembro de 2025, uma operação coordenada pela Anatel no Brasil, em parceria com órgãos da Argentina, fechou vários servidores utilizados por serviços de streaming piratas, como o popular My Family Cinema. Ainda assim, muitos desses serviços continuam ativos e oferecem assinaturas baratas, custando menos de R$ 20,00 para acesso a conteúdos de diversas plataformas em um único pacote.
Mesmo sabendo que é ilegal, o estudante de tecnologia da informação Michel Godói, de 23 anos, prefere recorrer a meios ilícitos para consumir conteúdo. “Os serviços descobriram que fragmentar os conteúdos e cobrar individualmente é mais interessante para as empresas, mas não pensam que isso é ruim para o consumidor. Por que eu vou pagar mais de R$ 100 por mês se posso ter tudo em um só?”, afirma.
No entanto, esses serviços podem ser extremamente perigosos para os usuários. Segundo dados divulgados pelo site Internet Matters, 50% dos usuários tiveram seus dispositivos infectados por vírus, e, entre eles, 47% já foram vítimas de fraudes em contas bancárias e cartões de crédito, uma vez que esses programas maliciosos têm a capacidade de roubar dados pessoais.

“Eu entendo esse risco, mas ainda consigo me proteger de alguma forma, então considero que vale a pena usar um serviço por fora”, afirma Michel.
Os serviços de streaming não dão sinais de que devem se tornar mais baratos ou acessíveis ao consumidor final. Se esse cenário continuar, a tendência é de crescimento da pirataria, assim como do número de usuários afetados por golpes e invasões, já que não há garantia sobre a procedência desses serviços nem sobre as intenções de quem fornece esse tipo de sinal.
(*)Com informações do Pro Digital