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Do cacau ao chocolate artesanal, mulheres transformam tradição em renda no interior do Amazonas

Muito antes de virar fonte de renda, o cultivo na Comunidade da Missão, em Tefé, já era questão de sobrevivência. Sem acesso a mercados ou recursos financeiros, famílias da região aprenderam a produzir o próprio alimento. Décadas depois, essa tradição deu origem a um modelo sustentável de produção que hoje movimenta a economia local com a fabricação de chocolate artesanal.

À frente dessa transformação está Bernardete Araújo, conhecida como Dona Bete, coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão.

“O cultivo nasceu antes de nós. Quando nós nos tornamos gente, já tínhamos o cultivo do cacau e de tantos outros alimentos. Hoje, apenas damos continuidade ao que aprendemos com as nossas famílias”, explica Bernardete, conhecida na região como Dona Bete.

O que antes era voltado apenas para o consumo próprio, hoje se transforma em barras e ovos de chocolate, especialmente com a proximidade da Páscoa. Cada produtora cultiva seu próprio cacau e desenvolve receitas únicas, herdadas de pais e avós, mantendo viva a identidade cultural da região.

A relação com o chocolate também carrega memórias afetivas. Dona Bete relembra que o chocolate amargo feito por sua mãe era presença constante na infância. Sem açúcar refinado, a receita levava ingredientes como garapa de cana, leite de castanha e ovos, reforçando o caráter natural e nutritivo do alimento.

Tácio Melo/Instituto Mamirauà

Mesmo sem estrutura industrial, o processo de produção segue técnicas tradicionais. Os grãos de cacau passam por seleção cuidadosa, fermentação e secagem ao sol antes de serem torrados e moídos. O resultado é um chocolate artesanal que preserva o sabor original do fruto amazônico.


Saiba mais: 

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O trabalho das agricultoras conta com o apoio do Instituto Mamirauá, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A instituição oferece assessoramento técnico, capacitação em manejo agroecológico e suporte no acesso a políticas públicas, contribuindo para o fortalecimento da produção.

De acordo com a pesquisadora Fernanda Viana, a integração entre conhecimento científico e saber tradicional tem sido fundamental para aprimorar o processo produtivo sem perder as raízes culturais.

“Por meio do assessoramento técnico, temos contribuído com o fortalecimento da produção orgânica, cursos de manejo agroecológico, apoio nas etapas de certificação e acesso a políticas públicas”, explica a coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do instituto, Fernanda Viana.

O avanço mais significativo veio em 2021, quando o grupo conquistou a certificação orgânica, tornando-se a primeira iniciativa da região a obter o reconhecimento. O selo garante que os produtos são livres de agrotóxicos, transgênicos e fertilizantes químicos, agregando valor e ampliando as oportunidades de mercado.

“Nós selecionamos muito bem os grãos do cacau e colocamos em um paneiro ou uma saca bem limpa e deixamos escorrer o mel por dois dias. Depois, cobrimos eles com uma folha de bananeira e deixamos secar no sol por seis dias para fazer a fermentação, para depois torrar e moer”, descreve Dona Bete.

Hoje, o chocolate produzido na Comunidade da Missão representa mais do que um alimento. É símbolo de resistência, autonomia feminina e valorização da cultura amazônica, mostrando como tradição e inovação podem caminhar juntas para transformar realidades.

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Muito antes de virar fonte de renda, o cultivo na Comunidade da Missão, em Tefé, já era questão de sobrevivência. Sem acesso a mercados ou recursos financeiros, famílias da região aprenderam a produzir o próprio alimento. Décadas depois, essa tradição deu origem a um modelo sustentável de produção que hoje movimenta a economia local com a fabricação de chocolate artesanal.

À frente dessa transformação está Bernardete Araújo, conhecida como Dona Bete, coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão.

“O cultivo nasceu antes de nós. Quando nós nos tornamos gente, já tínhamos o cultivo do cacau e de tantos outros alimentos. Hoje, apenas damos continuidade ao que aprendemos com as nossas famílias”, explica Bernardete, conhecida na região como Dona Bete.

O que antes era voltado apenas para o consumo próprio, hoje se transforma em barras e ovos de chocolate, especialmente com a proximidade da Páscoa. Cada produtora cultiva seu próprio cacau e desenvolve receitas únicas, herdadas de pais e avós, mantendo viva a identidade cultural da região.

A relação com o chocolate também carrega memórias afetivas. Dona Bete relembra que o chocolate amargo feito por sua mãe era presença constante na infância. Sem açúcar refinado, a receita levava ingredientes como garapa de cana, leite de castanha e ovos, reforçando o caráter natural e nutritivo do alimento.

Tácio Melo/Instituto Mamirauà

Mesmo sem estrutura industrial, o processo de produção segue técnicas tradicionais. Os grãos de cacau passam por seleção cuidadosa, fermentação e secagem ao sol antes de serem torrados e moídos. O resultado é um chocolate artesanal que preserva o sabor original do fruto amazônico.


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De acordo com a pesquisadora Fernanda Viana, a integração entre conhecimento científico e saber tradicional tem sido fundamental para aprimorar o processo produtivo sem perder as raízes culturais.

“Por meio do assessoramento técnico, temos contribuído com o fortalecimento da produção orgânica, cursos de manejo agroecológico, apoio nas etapas de certificação e acesso a políticas públicas”, explica a coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do instituto, Fernanda Viana.

O avanço mais significativo veio em 2021, quando o grupo conquistou a certificação orgânica, tornando-se a primeira iniciativa da região a obter o reconhecimento. O selo garante que os produtos são livres de agrotóxicos, transgênicos e fertilizantes químicos, agregando valor e ampliando as oportunidades de mercado.

“Nós selecionamos muito bem os grãos do cacau e colocamos em um paneiro ou uma saca bem limpa e deixamos escorrer o mel por dois dias. Depois, cobrimos eles com uma folha de bananeira e deixamos secar no sol por seis dias para fazer a fermentação, para depois torrar e moer”, descreve Dona Bete.

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