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Hepatite B é responsável pela maioria dos casos de hepatites virais no Amazonas

“A urina ficou da cor de Coca-Cola. Eu desmaiei durante um culto e só depois dos exames descobri que estava com hepatite”. A lembrança do autônomo Geberson Brito, de 53 anos, ainda é viva, mesmo após 40 anos depois do diagnóstico de hepatite A, contraída na infância.

Hoje recuperado, ele afirma que a experiência mudou sua relação com os cuidados com a saúde e reforçou a importância de procurar atendimento diante dos primeiros sintomas.

“Quanto antes descobrir, melhor. Depois daquela experiência passei a ter muito mais cuidado com a água que consumo, com a higiene dos alimentos e com a minha saúde”, afirma.

Embora o caso de Geberson tenha sido marcado por sintomas intensos, essa não é a realidade da maioria dos pacientes. As hepatites B e C, responsáveis por mais de 92% dos casos confirmados no Amazonas em 2026, costumam evoluir de forma silenciosa e podem permanecer anos sem causar qualquer sinal, aumentando o risco de complicações como cirrose e câncer de fígado.

Dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) mostram que, até junho de 2026, o estado confirmou 263 casos de hepatites virais. Desse total, 179 são de hepatite B (68,1%), 65 de hepatite C (24,7%), 11 de hepatite A (4,2%) e oito de hepatite D (3%).

Em outras palavras, quase sete em cada dez casos registrados neste ano são de hepatite B, reforçando a necessidade de ampliar a vacinação e o diagnóstico precoce da doença no estado.

Além dos casos confirmados, a FVS-RCP acompanha 336 notificações suspeitas de hepatites virais. Desse total, 328 correspondem a suspeitas de hepatites B e C, duas referem-se à hepatite A e seis permanecem classificadas como hepatite não especificada.

(Foto: Divulgação/FVS)

Os números de 2025 mostram que a hepatite B também liderou os registros no estado, com 353 casos confirmados, seguida pela hepatite C (153), hepatite D (15) e hepatite A (10), totalizando 531 casos no ano. Como os dados de 2026 abrangem apenas o período até junho, a comparação direta entre os dois anos pode distorcer a evolução da doença.

(Foto: Divulgação/FVS)

Doença silenciosa

Segundo a coordenadora estadual do Programa de Hepatites Virais da FVS-RCP, Vanieli Cappellesso, a predominância da hepatite B no Amazonas está relacionada, entre outros fatores, às dificuldades de acesso aos serviços de saúde em municípios do interior.

“Historicamente, o estado do Amazonas tem uma questão geográfica diferenciada, que dificulta, às vezes, o acesso dessas pessoas à vacinação e à realização da testagem rápida. Por isso, a hepatite B continua sendo a que mais predomina no estado.”

Cappellesso ainda esclarece que o maior desafio é justamente o comportamento silencioso da doença.

“O principal problema é que as hepatites podem ser assintomáticas. A pessoa pode passar anos com a doença sem saber. Quando surgem os sintomas, muitas vezes o fígado já sofreu danos importantes, como cirrose, câncer hepático ou até necessidade de transplante.”

Além de retardar o tratamento, a ausência de sintomas favorece a transmissão do vírus para outras pessoas.

A história de Geberson ilustra uma situação diferente da observada na maioria dos casos de hepatites B e C. Enquanto ele procurou atendimento após apresentar sintomas marcantes da hepatite A, especialistas alertam que as formas B e C da doença podem permanecer silenciosas por anos, dificultando o diagnóstico precoce.

Vacina continua sendo a principal proteção

A principal forma de prevenção contra a hepatite B continua sendo a vacinação, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quem completa o esquema vacinal também fica protegido contra a hepatite D, já que o vírus Delta depende da infecção pelo vírus B para se desenvolver.

“A vacina continua sendo a principal forma de prevenção. Ela está disponível gratuitamente nas unidades de saúde. Quem completa as três doses é considerado imunizado. Além disso, o uso de preservativos ajuda a prevenir tanto a hepatite B quanto a hepatite C”, destaca Vanieli.

Durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais, a FVS-RCP intensificou ações de testagem rápida, vacinação e orientação à população amazonense.

“A principal estratégia é informar a população. Estamos ampliando a testagem, orientando sobre as formas de transmissão, reforçando a importância da vacinação e do uso do preservativo. É uma doença muitas vezes esquecida justamente porque pode não apresentar sintomas.”

Teste rápido pode evitar complicações

O Ministério da Saúde recomenda que toda a população faça pelo menos uma testagem para hepatites virais ao longo da vida. Gestantes, profissionais de saúde, pessoas que sofreram acidentes com materiais perfurocortantes e parceiros de pessoas infectadas fazem parte dos grupos prioritários.

Segundo a FVS, os testes rápidos estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde e permitem iniciar o tratamento antes do aparecimento de lesões graves no fígado.


Leia mais

Julho Amarelo: veja onde fazer teste rápido para hepatites virais em Manaus

Amazonas registra redução de 33,4 % nos casos de hepatites


Como prevenir as hepatites virais

  • Manter a vacinação contra hepatite B em dia;
  • Utilizar preservativo nas relações sexuais;
  • Não compartilhar seringas, agulhas, lâminas, alicates de unha e objetos perfurocortantes;
  • Consumir água tratada e higienizar corretamente alimentos, principalmente para prevenir a hepatite A;
  • Realizar testes rápidos disponíveis gratuitamente no SUS.

A combinação entre vacinação, diagnóstico precoce e informação é considerada a principal estratégia para reduzir a transmissão das hepatites virais e evitar complicações que, muitas vezes, só aparecem anos após a infecção.

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“A urina ficou da cor de Coca-Cola. Eu desmaiei durante um culto e só depois dos exames descobri que estava com hepatite”. A lembrança do autônomo Geberson Brito, de 53 anos, ainda é viva, mesmo após 40 anos depois do diagnóstico de hepatite A, contraída na infância.

Hoje recuperado, ele afirma que a experiência mudou sua relação com os cuidados com a saúde e reforçou a importância de procurar atendimento diante dos primeiros sintomas.

“Quanto antes descobrir, melhor. Depois daquela experiência passei a ter muito mais cuidado com a água que consumo, com a higiene dos alimentos e com a minha saúde”, afirma.

Embora o caso de Geberson tenha sido marcado por sintomas intensos, essa não é a realidade da maioria dos pacientes. As hepatites B e C, responsáveis por mais de 92% dos casos confirmados no Amazonas em 2026, costumam evoluir de forma silenciosa e podem permanecer anos sem causar qualquer sinal, aumentando o risco de complicações como cirrose e câncer de fígado.

Dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) mostram que, até junho de 2026, o estado confirmou 263 casos de hepatites virais. Desse total, 179 são de hepatite B (68,1%), 65 de hepatite C (24,7%), 11 de hepatite A (4,2%) e oito de hepatite D (3%).

Em outras palavras, quase sete em cada dez casos registrados neste ano são de hepatite B, reforçando a necessidade de ampliar a vacinação e o diagnóstico precoce da doença no estado.

Além dos casos confirmados, a FVS-RCP acompanha 336 notificações suspeitas de hepatites virais. Desse total, 328 correspondem a suspeitas de hepatites B e C, duas referem-se à hepatite A e seis permanecem classificadas como hepatite não especificada.

(Foto: Divulgação/FVS)

Os números de 2025 mostram que a hepatite B também liderou os registros no estado, com 353 casos confirmados, seguida pela hepatite C (153), hepatite D (15) e hepatite A (10), totalizando 531 casos no ano. Como os dados de 2026 abrangem apenas o período até junho, a comparação direta entre os dois anos pode distorcer a evolução da doença.

(Foto: Divulgação/FVS)

Doença silenciosa

Segundo a coordenadora estadual do Programa de Hepatites Virais da FVS-RCP, Vanieli Cappellesso, a predominância da hepatite B no Amazonas está relacionada, entre outros fatores, às dificuldades de acesso aos serviços de saúde em municípios do interior.

“Historicamente, o estado do Amazonas tem uma questão geográfica diferenciada, que dificulta, às vezes, o acesso dessas pessoas à vacinação e à realização da testagem rápida. Por isso, a hepatite B continua sendo a que mais predomina no estado.”

Cappellesso ainda esclarece que o maior desafio é justamente o comportamento silencioso da doença.

“O principal problema é que as hepatites podem ser assintomáticas. A pessoa pode passar anos com a doença sem saber. Quando surgem os sintomas, muitas vezes o fígado já sofreu danos importantes, como cirrose, câncer hepático ou até necessidade de transplante.”

Além de retardar o tratamento, a ausência de sintomas favorece a transmissão do vírus para outras pessoas.

A história de Geberson ilustra uma situação diferente da observada na maioria dos casos de hepatites B e C. Enquanto ele procurou atendimento após apresentar sintomas marcantes da hepatite A, especialistas alertam que as formas B e C da doença podem permanecer silenciosas por anos, dificultando o diagnóstico precoce.

Vacina continua sendo a principal proteção

A principal forma de prevenção contra a hepatite B continua sendo a vacinação, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quem completa o esquema vacinal também fica protegido contra a hepatite D, já que o vírus Delta depende da infecção pelo vírus B para se desenvolver.

“A vacina continua sendo a principal forma de prevenção. Ela está disponível gratuitamente nas unidades de saúde. Quem completa as três doses é considerado imunizado. Além disso, o uso de preservativos ajuda a prevenir tanto a hepatite B quanto a hepatite C”, destaca Vanieli.

Durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais, a FVS-RCP intensificou ações de testagem rápida, vacinação e orientação à população amazonense.

“A principal estratégia é informar a população. Estamos ampliando a testagem, orientando sobre as formas de transmissão, reforçando a importância da vacinação e do uso do preservativo. É uma doença muitas vezes esquecida justamente porque pode não apresentar sintomas.”

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  • Não compartilhar seringas, agulhas, lâminas, alicates de unha e objetos perfurocortantes;
  • Consumir água tratada e higienizar corretamente alimentos, principalmente para prevenir a hepatite A;
  • Realizar testes rápidos disponíveis gratuitamente no SUS.

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