Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

História de padre negro ganha destaque em pesquisa sobre o Amazonas

Uma história pouco conhecida da população do Amazonas chamou a atenção dos pesquisadores do Atlas ODS Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Em entrevista ao Onda News, nesta sexta-feira (21/8) o coordenador técnico do Atlas ODS Amazônia, Danilo Egle, contou como conheceu a trajetória do Padre Daniel, personagem negro que atuou como sacerdote, professor e deputado provincial no século XIX.

“Quando cheguei na igreja, o túmulo dele está ao lado do altar”, relatou Egle, ao explicar como começou a investigar a trajetória do personagem.

A partir da descoberta, o pesquisador identificou que a história de Padre Daniel já havia sido estudada anteriormente pelo professor Tenner, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que produziu uma tese sobre o religioso durante a pandemia.

A história foi identificada durante o trabalho de campo do Mapa de Potencialidades Territoriais, desenvolvido pelo projeto Atlas ODS Amazônia em parceria com o Instituto Acariquara. A pesquisa durou seis meses e buscou identificar características históricas, culturais, sociais e econômicas capazes de contribuir para o desenvolvimento dos municípios amazônicos.

Um personagem histórico que quase caiu no esquecimento

Segundo Danilo Egle, registros sobre Padre Daniel podem ser encontrados na Biblioteca da Assembleia Legislativa do Amazonas e também permanecem na memória de moradores de Silves. Apesar disso, o pesquisador chama atenção para a falta de homenagens oficiais ao personagem.

Egle afirma que não há lei, medalha ou outro reconhecimento institucional no Amazonas que leve o nome do padre, apesar de sua trajetória ter sido marcada pela atuação religiosa, educacional, social e política.

Para o coordenador, a história ganha ainda mais relevância por se tratar de um homem negro que conseguiu ocupar uma posição de destaque político durante o período imperial. A trajetória, segundo ele, poderia ser transformada em elemento de valorização da memória de Silves e em nova possibilidade para o turismo histórico e cultural do município.

Potencial turístico vai além dos atrativos tradicionais

A descoberta integra uma proposta mais ampla do Mapa de Potencialidades Territoriais, que busca identificar oportunidades existentes nos próprios territórios e que nem sempre aparecem nos indicadores tradicionais de desenvolvimento.

Silves possui mais de 360 anos de história e, de acordo com Egle, sua localização também contribuiu para que o município tivesse importância estratégica ao longo do tempo, inclusive em períodos marcados por disputas e conflitos pela ocupação territorial.

Nesse contexto, personagens históricos como Padre Daniel podem ser incorporados a roteiros de turismo religioso, histórico e cultural. A ideia é mostrar que o potencial turístico de um município não está apenas em paisagens naturais ou grandes estruturas: a memória, as pessoas, os acontecimentos históricos e a identidade das comunidades também podem se transformar em atrativos.


Saiba mais: 

TJAM aprova criação de 8 novos cargos e pode chegar a 34 desembargadores

Como as urnas chegam ao interior do Amazonas? TRE-AM inicia operação


Pesquisadores defendem mais escuta das comunidades

Durante a entrevista, Danilo Egle também destacou que muitas das potencialidades existentes nos municípios acabam não sendo consideradas pelas administrações públicas. Para ele, moradores e comunidades acumulam conhecimentos sobre a própria história e sobre as possibilidades de desenvolvimento dos territórios, mas essas informações nem sempre são utilizadas na formulação de políticas públicas.

O pesquisador defende que a escuta ativa seja realizada antes da criação de leis, projetos e políticas públicas. Na avaliação de Egle, ouvir quem conhece o território pode ajudar gestores a identificar iniciativas que já existem, preservar histórias que correm risco de desaparecer e evitar decisões desconectadas da realidade local.

A trajetória de Padre Daniel, nesse sentido, aparece como exemplo de uma história preservada na memória de Silves, mas que ainda pode ganhar maior reconhecimento institucional e se transformar em ferramenta de valorização cultural e turística.

Quem foi Padre Daniel

Daniel Pedro Marques de Oliveira, conhecido como Padre Daniel de Silves, foi vigário, professor e deputado provincial no Amazonas Imperial, no século XIX. De origem escravizada, ele rompeu barreiras sociais e raciais de sua época e construiu trajetória marcada pela atuação religiosa, educacional e política.

Padre Daniel nasceu de mãe escravizada, tornou-se liberto e ingressou no clero secular. Foi ordenado diácono em Belém, em 1850, e posteriormente assumiu como vigário colado da Paróquia de Silves.

Além das atividades religiosas, trabalhou como professor de primeiras letras na vila de Silves, participando da formação educacional da população local.

Na década de 1870, foi eleito deputado provincial do Amazonas, com registros de atuação entre 1872 e 1878. Também chegou a ocupar a vice-presidência da Assembleia Provincial, posição de destaque para um homem negro de origem escravizada durante o Brasil Império.

Sua trajetória reúne elementos religiosos, educacionais, políticos e sociais que ajudam a contar parte da história de Silves e do Amazonas. Atualmente, seu túmulo permanece na igreja do município, e a história do padre é apontada pelos pesquisadores como possível patrimônio histórico e cultural capaz de fortalecer o turismo e a valorização da identidade local.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

Uma história pouco conhecida da população do Amazonas chamou a atenção dos pesquisadores do Atlas ODS Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Em entrevista ao Onda News, nesta sexta-feira (21/8) o coordenador técnico do Atlas ODS Amazônia, Danilo Egle, contou como conheceu a trajetória do Padre Daniel, personagem negro que atuou como sacerdote, professor e deputado provincial no século XIX.

“Quando cheguei na igreja, o túmulo dele está ao lado do altar”, relatou Egle, ao explicar como começou a investigar a trajetória do personagem.

A partir da descoberta, o pesquisador identificou que a história de Padre Daniel já havia sido estudada anteriormente pelo professor Tenner, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que produziu uma tese sobre o religioso durante a pandemia.

A história foi identificada durante o trabalho de campo do Mapa de Potencialidades Territoriais, desenvolvido pelo projeto Atlas ODS Amazônia em parceria com o Instituto Acariquara. A pesquisa durou seis meses e buscou identificar características históricas, culturais, sociais e econômicas capazes de contribuir para o desenvolvimento dos municípios amazônicos.

Um personagem histórico que quase caiu no esquecimento

Segundo Danilo Egle, registros sobre Padre Daniel podem ser encontrados na Biblioteca da Assembleia Legislativa do Amazonas e também permanecem na memória de moradores de Silves. Apesar disso, o pesquisador chama atenção para a falta de homenagens oficiais ao personagem.

Egle afirma que não há lei, medalha ou outro reconhecimento institucional no Amazonas que leve o nome do padre, apesar de sua trajetória ter sido marcada pela atuação religiosa, educacional, social e política.

Para o coordenador, a história ganha ainda mais relevância por se tratar de um homem negro que conseguiu ocupar uma posição de destaque político durante o período imperial. A trajetória, segundo ele, poderia ser transformada em elemento de valorização da memória de Silves e em nova possibilidade para o turismo histórico e cultural do município.

Potencial turístico vai além dos atrativos tradicionais

A descoberta integra uma proposta mais ampla do Mapa de Potencialidades Territoriais, que busca identificar oportunidades existentes nos próprios territórios e que nem sempre aparecem nos indicadores tradicionais de desenvolvimento.

Silves possui mais de 360 anos de história e, de acordo com Egle, sua localização também contribuiu para que o município tivesse importância estratégica ao longo do tempo, inclusive em períodos marcados por disputas e conflitos pela ocupação territorial.

Nesse contexto, personagens históricos como Padre Daniel podem ser incorporados a roteiros de turismo religioso, histórico e cultural. A ideia é mostrar que o potencial turístico de um município não está apenas em paisagens naturais ou grandes estruturas: a memória, as pessoas, os acontecimentos históricos e a identidade das comunidades também podem se transformar em atrativos.


Saiba mais: 

TJAM aprova criação de 8 novos cargos e pode chegar a 34 desembargadores

Como as urnas chegam ao interior do Amazonas? TRE-AM inicia operação


Pesquisadores defendem mais escuta das comunidades

Durante a entrevista, Danilo Egle também destacou que muitas das potencialidades existentes nos municípios acabam não sendo consideradas pelas administrações públicas. Para ele, moradores e comunidades acumulam conhecimentos sobre a própria história e sobre as possibilidades de desenvolvimento dos territórios, mas essas informações nem sempre são utilizadas na formulação de políticas públicas.

O pesquisador defende que a escuta ativa seja realizada antes da criação de leis, projetos e políticas públicas. Na avaliação de Egle, ouvir quem conhece o território pode ajudar gestores a identificar iniciativas que já existem, preservar histórias que correm risco de desaparecer e evitar decisões desconectadas da realidade local.

A trajetória de Padre Daniel, nesse sentido, aparece como exemplo de uma história preservada na memória de Silves, mas que ainda pode ganhar maior reconhecimento institucional e se transformar em ferramenta de valorização cultural e turística.

Quem foi Padre Daniel

Daniel Pedro Marques de Oliveira, conhecido como Padre Daniel de Silves, foi vigário, professor e deputado provincial no Amazonas Imperial, no século XIX. De origem escravizada, ele rompeu barreiras sociais e raciais de sua época e construiu trajetória marcada pela atuação religiosa, educacional e política.

Padre Daniel nasceu de mãe escravizada, tornou-se liberto e ingressou no clero secular. Foi ordenado diácono em Belém, em 1850, e posteriormente assumiu como vigário colado da Paróquia de Silves.

Além das atividades religiosas, trabalhou como professor de primeiras letras na vila de Silves, participando da formação educacional da população local.

Na década de 1870, foi eleito deputado provincial do Amazonas, com registros de atuação entre 1872 e 1878. Também chegou a ocupar a vice-presidência da Assembleia Provincial, posição de destaque para um homem negro de origem escravizada durante o Brasil Império.

Sua trajetória reúne elementos religiosos, educacionais, políticos e sociais que ajudam a contar parte da história de Silves e do Amazonas. Atualmente, seu túmulo permanece na igreja do município, e a história do padre é apontada pelos pesquisadores como possível patrimônio histórico e cultural capaz de fortalecer o turismo e a valorização da identidade local.

- Publicidade -[adrotate group="9"]

Mais lidas

Pesquisa da UFAM mapeia riquezas e oportunidades no interior do AM

Pesquisadores do Atlas ODS Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), desenvolveram o Mapa de Potencialidades Territoriais para identificar riquezas e oportunidades em quatro...

Moradores do Parque das Tribos discutem efeitos do clima neste sábado (22)

Moradores do Parque das Tribos, na zona Norte de Manaus, participam neste sábado (22) de uma roda de conversa sobre os impactos das mudanças...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Chuva volta a Manaus após quase dois meses de calor extremo

Manaus registrou uma leve chuva no bairro Nova Cidade, zona Norte da capital, na tarde desta sexta-feira (21), após cerca de dois meses sem...

Incêndio no lixão de Iranduba provoca suspensão de aulas por fumaça tóxica

A fumaça do incêndio no lixão em Iranduba, levou a Secretaria Municipal de Educação a suspender as aulas presenciais em escolas próximas à área...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Amazonas aposta em educação ambiental para prevenir novas queimadas

Altas temperaturas, baixa umidade e vegetação seca favorecem a formação e a propagação de focos de incêndio. Em meio à estiagem e aos efeitos...

TJAM aprova criação de 8 novos cargos e pode chegar a 34 desembargadores

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) aprovou, por unanimidade, nesta sexta-feira (21), um anteprojeto de lei que prevê a criação de oito novos...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Pesquisa da UFAM mapeia riquezas e oportunidades no interior do AM

Pesquisadores do Atlas ODS Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), desenvolveram o Mapa de Potencialidades Territoriais para identificar riquezas e oportunidades em quatro...

Moradores do Parque das Tribos discutem efeitos do clima neste sábado (22)

Moradores do Parque das Tribos, na zona Norte de Manaus, participam neste sábado (22) de uma roda de conversa sobre os impactos das mudanças...

Chuva volta a Manaus após quase dois meses de calor extremo

Manaus registrou uma leve chuva no bairro Nova Cidade, zona Norte da capital, na tarde desta sexta-feira (21), após cerca de dois meses sem...

Incêndio no lixão de Iranduba provoca suspensão de aulas por fumaça tóxica

A fumaça do incêndio no lixão em Iranduba, levou a Secretaria Municipal de Educação a suspender as aulas presenciais em escolas próximas à área...

Amazonas aposta em educação ambiental para prevenir novas queimadas

Altas temperaturas, baixa umidade e vegetação seca favorecem a formação e a propagação de focos de incêndio. Em meio à estiagem e aos efeitos...

TJAM aprova criação de 8 novos cargos e pode chegar a 34 desembargadores

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) aprovou, por unanimidade, nesta sexta-feira (21), um anteprojeto de lei que prevê a criação de oito novos...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]