A defesa de Ademar Cardoso, Cleusimar Cardoso e Verônica Seixas informou que irá recorrer da sentença que os condenou, junto com outros quatro réus, no julgamento pela crime de tráfico de drogas relatado no curso da Operação Mandrágora, que apurou o fornecimento e a distribuição irregular de cetamina em Manaus. Em nota, os advogados afirmam haver fundamentos jurídicos que justificam a revisão da decisão pelo Tribunal.
Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto são mãe e irmão de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido encontrada morta em maio de 2024. A condenação foi proferida pela juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), na quarta-feira (22).
Defesa questiona cadeia de custódia das provas
Em nota assinada pelos advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros, a defesa afirma respeitar as instituições e o Poder Judiciário, mas sustenta que a sentença não refletiu, segundo eles, a correta valoração das provas produzidas nos autos.
Segundo a nota, um parecer técnico elaborado sobre os elementos de prova da Operação Mandrágora apontou falhas na condução da investigação. Entre os pontos citados pela defesa está o descumprimento da cadeia formal de custódia de aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos apreendidos, com ausência de termos individuais de lacração, registros fotográficos, documentos de abertura dos invólucros, identificação dos responsáveis pela guarda dos materiais e, em alguns casos, de laudos periciais correspondentes.
Defesa cita inconsistências em exames toxicológicos e de medicamentos
De acordo com a análise técnica apresentada pela defesa, os exames toxicológicos realizados durante a investigação também não tiveram registro formal da apresentação do material biológico, identificação da coleta, comprovação da lacração das amostras, registros fotográficos ou documentação sobre a cadeia de guarda entre a coleta e a realização das perícias.
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O mesmo parecer aponta inconsistências nos exames feitos nos medicamentos apreendidos, incluindo divergências sobre a forma de coleta e ausência de termos de lacração individual, registros fotográficos e documentação sobre a abertura dos invólucros. Para a defesa, essas falhas comprometem a confiabilidade dos elementos probatórios e serão levadas ao recurso de apelação.
Relembre a condenação
A sentença que condenou sete pessoas investigadas na Operação Mandrágora, desencadeada a partir da morte da ex-sinhazinha, aplicou penas que variam de 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de prisão, conforme o grau de participação de cada réu. Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto foram condenados a 10 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado. José Máximo Silva de Oliveira, identificado como veterinário, recebeu pena de 10 anos e 4 meses, também em regime fechado. Outros réus, entre eles Verônica da Costa Seixas, poderão recorrer em liberdade, mediante medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica. Ao todo, dez pessoas foram julgadas no processo, sete foram condenadas e três foram absolvidas.
A sentença foi proferida cerca de dez meses após a Justiça anular uma condenação anterior no mesmo processo, depois que o Ministério Público reconheceu falhas na condução do caso e pediu o retorno à primeira instância. A nova decisão foi emitida após a regularização das provas periciais.
