A defesa da ex-candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL) afirmou, nesta terça-feira (3), que ela não foi intimada a prestar depoimento na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). Segundo nota assinada pelo advogado Sérgio Roberto Bulcão Bringel Júnior, a apresentação dos dispositivos eletrônicos pessoais teve como objetivo colaborar com a investigação e partiu da própria empresária, por iniciativa de seus advogados.
O esclarecimento foi divulgado após notícias de que Maria do Carmo compareceria à delegacia para prestar esclarecimentos sobre vídeos divulgados durante a campanha eleitoral de 2026. A defesa sustenta que o compromisso perante a Justiça teve a finalidade específica de apresentar os aparelhos, e não de atender a uma convocação para depoimento.
Na manifestação, a assessoria jurídica afirma que a ex-candidata já declarou desconhecer a produção dos conteúdos investigados e que jamais compactuaria com ataques dessa natureza. A defesa também diz esperar que a apuração identifique os responsáveis pela produção e pela divulgação do material.
Os advogados manifestaram ainda preocupação com o vazamento de informações parciais do procedimento, que tramita sob segredo de Justiça. Para a defesa, a divulgação seletiva de dados prejudica a investigação e favorece julgamentos antecipados.
Investigação apura vídeos divulgados no segundo turno
A investigação conduzida pela Depca começou após denúncia apresentada pelo senador Omar Aziz (PSD), governador eleito do Amazonas. O caso envolve a circulação, durante o segundo turno das eleições, de vídeos com acusações contra o político e sua família. Um dos materiais utilizou imagens da filha adolescente do senador e fez associação com acusações de pedofilia.
Na quinta-feira (29), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos profissionais de marketing Jefferson Coronel e George Wilde, que trabalharam na campanha de Maria do Carmo.
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No dia seguinte, a desembargadora Onilza Abreu Gerth, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), suspendeu a ordem de busca e apreensão contra Maria do Carmo. A decisão determinou a suspensão do cumprimento do mandado até a análise do pedido apresentado pela defesa e também garantiu aos advogados acesso aos autos. A medida não encerrou a investigação policial.
O procedimento continua sob responsabilidade da Depca, que busca esclarecer quem participou da produção e da circulação dos vídeos.
