A empresária e ex-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), se manifestou neste sábado (31), pela primeira vez após o segundo turno das eleições, sobre as acusações envolvendo sua campanha eleitoral e a divulgação de um vídeo que expôs a filha menor de idade do governador eleito Omar Aziz (PSD).
Em pronunciamento publicado nas redes sociais, Maria do Carmo afirmou que desconhecia o conteúdo do material e negou ter autorizado ou patrocinado qualquer tipo de ataque contra familiares do adversário político. A empresária também declarou que está tranquila e que seus advogados acompanham o caso.
“Eu sempre critiquei, duramente inclusive, o homem público Omar Aziz e vou continuar fazendo como cidadã, mas quero que saibam que eu não patrocinei e jamais patrocinaria qualquer tipo de ataque contra a sua família, especialmente sua filha”, afirmou.
A manifestação ocorre após Omar Aziz anunciar, no domingo (25), depois de vencer o segundo turno, que pediria à Justiça a prisão de Maria do Carmo, do jornalista Jefferson Coronel e de outras pessoas supostamente envolvidas na produção e divulgação do vídeo. O governador eleito afirmou que as medidas seriam fundamentadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e que seu advogado iniciaria os procedimentos na segunda-feira (26).
No pronunciamento deste sábado, Maria do Carmo disse que tomou conhecimento das acusações nos dias seguintes à eleição e que elas ainda precisam ser apuradas. Segundo ela, as denúncias teriam motivado diligências policiais que a apontariam como alvo, juntamente com outras pessoas.
“Como advogada e conhecedora dos meus direitos e deveres, eu não poderia deixar de exercer o meu direito de defesa”, declarou.
A empresária também manifestou solidariedade a Omar Aziz e à família dele, defendendo que eventuais irregularidades sejam investigadas e os responsáveis punidos.
“Se houve algum material irregular, ele não passou pelo meu conhecimento e muito menos pela minha concordância”, disse.
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Investigação e diligências policiais
A manifestação ocorre dois dias após a Polícia Civil do Amazonas cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados a integrantes da equipe de marketing da campanha de Maria do Carmo, em Manaus e São Paulo. A operação conta com apoio da Polícia Civil paulista e inclui diligências em endereços ligados a George Wilde.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, a investigação apura a produção e a divulgação do material envolvendo a filha de Omar Aziz e tramita sob sigilo.
Na ocasião, a assessoria jurídica de Maria do Carmo afirmou que não houve cumprimento de mandados em sua residência ou em outros endereços diretamente relacionados à empresária. Também informou que ela não havia sido intimada ou notificada para prestar esclarecimentos e que tomou conhecimento da operação por meio da imprensa.
Em nota, o advogado Sérgio Roberto Bulcão Bringel Júnior afirmou que a ex-candidata repudia ataques contra familiares de adversários políticos e permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A defesa também pediu que a apuração ocorra com responsabilidade, sem especulações ou julgamentos antecipados.
“Saber perder exige maturidade”
Ao encerrar o pronunciamento, Maria do Carmo agradeceu aos mais de 800 mil eleitores que votaram nela no segundo turno e afirmou respeitar o resultado das urnas.
A empresária, no entanto, fez uma ressalva ao dizer que não aceitará tentativas de atingir sua imagem por fatos que afirma não ter praticado.
“Reconhecer o resultado das urnas faz parte da democracia. Saber perder exige maturidade. Saber vencer exige grandeza”, declarou.
Maria do Carmo concluiu afirmando que confia no Poder Judiciário e que espera que os fatos sejam esclarecidos com respeito ao devido processo legal.
Veja o pronunciamento completo:
