Febre alta, tosse, coriza e irritação nos olhos podem ser confundidas com sintomas de gripe. Quando aparecem junto de manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham pelo corpo, porém, podem indicar sarampo. A doença é altamente contagiosa e exige atenção, especialmente em crianças pequenas e pessoas com vacinação incompleta.
A transmissão ocorre pelo ar, quando uma pessoa infectada respira, fala, tosse ou espirra. O vírus pode permanecer contagioso no ar ou em superfícies por até duas horas. A pessoa pode transmitir a doença desde seis dias antes até quatro dias depois do início das manchas, período em que pode infectar outras pessoas sem saber que está doente.
Casos no Amazonas e alerta regional
No balanço do Ministério da Saúde com dados até 19 de outubro, o Amazonas tinha 17 casos confirmados: nove em Tabatinga, cinco em Benjamin Constant, dois em Atalaia do Norte e um em São Paulo de Olivença. Os casos registrados no estado estão relacionados a surtos com origem no Peru. No mesmo período, o país somava 61 confirmações.
A ocorrência de casos importados não significa, por si só, que o Brasil voltou a ter circulação endêmica do vírus. O país mantém o status de livre da circulação endêmica, mas a entrada do vírus pode gerar transmissão quando encontra pessoas suscetíveis. Em relatório com dados até 17 de outubro, a OPAS/OMS contabilizou 56.753 casos confirmados e 81 mortes em 17 países e territórios das Américas.
Em 9 de outubro, a OPAS/OMS classificou como muito alto o risco de disseminação do sarampo nas Américas. O alerta citou surtos ativos, lacunas na vacinação e aumento da circulação de pessoas, inclusive por eventos de massa previstos na América do Sul. A organização recomendou reforçar a imunização, a vigilância e a resposta rápida aos casos suspeitos.
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Complicações e sinais de atenção
Além da febre acima de 38,5 °C e das manchas, podem ocorrer tosse seca, nariz escorrendo, conjuntivite e pequenos pontos brancos na mucosa da boca. Entre as complicações estão pneumonia, infecção no ouvido que pode causar perda auditiva e encefalite. O Ministério da Saúde informa que cerca de uma em cada 20 crianças com sarampo pode desenvolver pneumonia.
Quem apresentar febre e manchas pelo corpo deve procurar um serviço de saúde e informar os sintomas, além de possíveis viagens ou contato com pessoas doentes. Para reduzir o risco de transmissão, pessoas com suspeita ou confirmação devem evitar a escola e o trabalho por pelo menos quatro dias a partir do aparecimento das manchas e evitar contato com pessoas mais vulneráveis.
Vacinação é a principal proteção
A vacina tríplice viral, disponível gratuitamente pelo SUS, é a principal forma de prevenção. No calendário de rotina, as doses são aplicadas aos 12 e aos 15 meses. Pessoas de 12 meses a 59 anos devem conferir a caderneta e procurar uma unidade de saúde para completar o esquema, conforme a idade e o histórico vacinal. Em localidades com surto, autoridades de saúde podem recomendar uma dose adicional para crianças de 6 a 11 meses; ela não substitui as doses de rotina.
No Amazonas, a FVS-RCP orientou intensificar a vacinação em outubro e novembro, com Dia D estadual previsto para 7 de novembro e meta de 95% de cobertura entre pessoas de 12 meses a 59 anos. A FVS-RCP também recomendou busca ativa de pessoas não vacinadas ou com doses atrasadas. Em ação específica, o Ministério da Saúde indicou intensificação da vacinação em Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Tabatinga, incluindo territórios indígenas.
