O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) oficializou no dia 3 de setembro um pedido ao Governo do Amazonas e à Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) para a redução temporária da carga horária do turno vespertino nas escolas estaduais.
A solicitação foi motivada pelas altas temperaturas registradas no estado e por relatos de falhas nos sistemas de climatização das unidades.
Segundo o sindicato, a medida tem caráter preventivo e emergencial e busca proteger a saúde de estudantes, professores e demais profissionais da educação. Para a entidade, o período da tarde torna as salas de aula insuportáveis em muitos colégios e prejudica o processo de ensino e aprendizagem.
Recordes de calor
No dia 1º de setembro, os termômetros em Manaus registraram 37,6°C, segundo dados do Inmet. No dia anterior, a marca havia sido de 37,3°C. De acordo com o Sinteam, o calor é potencializado por ambientes fechados e, muitas vezes, com telhados metálicos ou pouca ventilação natural.
A Nota Técnica Conjunta nº 23/2026, emitida por órgãos estaduais de saúde e citada pelo sindicato, aponta que altas temperaturas em ambientes não climatizados podem causar estresse térmico, com efeitos especialmente sobre as crianças. Entre os riscos listados estão desidratação, exaustão térmica, tontura, fadiga e dificuldades de concentração.
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Emergência climática
O Sinteam sustenta que o Governo do Amazonas reconheceu oficialmente, por meio do Decreto nº 54.274, de junho de 2026, a existência de emergência climática e ambiental no Estado.
Segundo a entidade, o decreto determina que a Seduc adote medidas para proteger a saúde e garantir a continuidade das atividades educacionais em meio a eventos climáticos extremos.
Pedidos
Além da redução temporária do turno da tarde, o Sinteam solicita:
- levantamento emergencial das condições de climatização de todas as escolas, com medição de temperatura e umidade;
- adoção de medidas paliativas nas unidades em situação mais crítica;
- suspensão ou reorganização temporária de atividades físicas em espaços descobertos nos horários de pico de calor.
A presidente do sindicato afirmou que a proposta é preventiva e temporária e que não substitui a obrigação do Estado de resolver os problemas de climatização e infraestrutura das escolas.
O Sinteam aguarda manifestação oficial do Governo e da Seduc e acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério Público do Estado (MPE-AM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).
A equipe de reportagem entrou em contato com a Seduc-AM e aguarda resposta sobre o pedido.
Acesse a íntegra do pedido: Ofício n.º 0120 – ROBERTO MAIA CIDADE FILHO – Solicitação de adoção de medidas emergenciais – PROTOCOLO
