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Tacacazeiras da Região Norte são agora reconhecidas como patrimônio cultural do Brasil

O ofício de Tacacazeiras da Região Norte, guardiãs da receita do tacacá, se transformou, nesta quarta-feira (26/11), em patrimônio cultural do país por decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural Nacional (Iphan) ao aceitar a indicação do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP-Iphan).

Em geral, as receitas de tacacá são segredos de família passados de geração em geração. Cada uma tem seu jeito de equilibrar alcalinidade da goma e acidez do tucupi, temperados com chicória, alfavaca e até alho, variando em cada barraca.

A partir do registro como patrimônio cultural, agora cabe ao Iphan a elaboração de um plano de salvaguarda para esse bem. A medida deve incluir formas de divulgação gastronômica, gestão dos pequenos negócios, acesso a matérias-primas e melhoria dos pontos de venda.

Com 71 anos, tia Naza, de Manaus, conta que aprendeu a fazer o prato com a avó e a mãe. Faz 15 anos que a venda do produto é sua principal fonte de renda.

“O tacacá sempre existiu na minha vida, eu vendia no fim da tarde, depois do trabalho, em frente de casa. Formei dois netos advogados, dois médicos e um jornalista”, contou Maria de Nazaré. “Todos me ajudaram a servir o tacacá na banquinha”, lembrou. Nazaré esteve em Brasília esta semana e participou de reunião do Iphan onde comemorou a decisão. “Ser tacacazeira é ter orgulho dos nossos ingredientes únicos. A culinária amazônica é viva, potente e merece ser celebrada”, afirmou.

Em Manaus, o tacacá é uma bebida tradicionalmente consumida a partir do meio da tarde, principalmente em bancas espalhadas pelas ruas e calçadas de vários bairros. A banca mais antiga é a banca da Ivete, localizada na rua Ramos Ferreira, esquina com a Tapajós, no Centro.

Conforme Ivete, a banca de tacacá foi criada pela sogra, dona Maria, também conhecida como dona Branca, que criou a receita e o modelo de negócio que é seguido até hoje, com o marido dela, Nonato, sendo o responsável pela compra dos insumos e os dois filhos ajudando no atendimento e cobrança.

Dona Ivete, tacacazeira
Dona Ivete, tacacazeira de Manaus

 

 

 

 


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Com o passar dos anos, o caldo de tacacá aceitou variações. É servido com caranguejo, pipoca e até na versão vegana, com palmito ou azeitona. Também não é necessário mais procurar uma barraca na rua para sorver. Aplicativos entregam o prato em qualquer lugar.

As tacacazeiras garantem que, no isopor, também é bom. “Há quem diga que, se não for na cuia, não tem o mesmo sabor e eu sou uma delas, prefiro ir à banca, em uma das esquinas de Belém, onde estão os mais tradicionais, e experimentar”, ponderou a feirante Jaqueline Soares Fonseca, em vídeo, sobre o tacacá. O material foi exibido na reunião do Conselho Consultivo do Iphan.

Para tornar o ofício de tacacazeira patrimônio cultural, o Iphan organizou um projeto de pesquisa e documentação sobre a tradição envolvida no preparo do prato e os saberes relacionados, desde a compra dos ingredientes até a comercialização. O trabalho foi realizado em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A equipe esteve em sete estados documentando e ouvindo as cozinheiras sobre o registro como patrimônio cultural.

No dossiê que fundamentou a decisão de inscrever o ofício no Livro dos Saberes, o Iphan explicou que as tacacazeiras são “detentoras de saberes e segredos” e dão continuidade “não apenas aos modos de fazer de um elaborado prato, mas a formas de sociabilidade”. Essas mulheres também são responsáveis por passar adiante, passo a passo, um “conhecimento exclusivo”, de modo que a prática não se perca”, complementa o dossiê.

O tacacá é tipicamente indígena, mas sua comercialização foi registrada no final do século 19, com a expansão urbana na Amazônia e a escassez de trabalho. Nesses momentos, mulheres passaram a vender alimentos na rua como estratégia de sobrevivência, conciliando o cuidado com a casa e o sustento.

 

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O ofício de Tacacazeiras da Região Norte, guardiãs da receita do tacacá, se transformou, nesta quarta-feira (26/11), em patrimônio cultural do país por decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural Nacional (Iphan) ao aceitar a indicação do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP-Iphan).

Em geral, as receitas de tacacá são segredos de família passados de geração em geração. Cada uma tem seu jeito de equilibrar alcalinidade da goma e acidez do tucupi, temperados com chicória, alfavaca e até alho, variando em cada barraca.

A partir do registro como patrimônio cultural, agora cabe ao Iphan a elaboração de um plano de salvaguarda para esse bem. A medida deve incluir formas de divulgação gastronômica, gestão dos pequenos negócios, acesso a matérias-primas e melhoria dos pontos de venda.

Com 71 anos, tia Naza, de Manaus, conta que aprendeu a fazer o prato com a avó e a mãe. Faz 15 anos que a venda do produto é sua principal fonte de renda.

“O tacacá sempre existiu na minha vida, eu vendia no fim da tarde, depois do trabalho, em frente de casa. Formei dois netos advogados, dois médicos e um jornalista”, contou Maria de Nazaré. “Todos me ajudaram a servir o tacacá na banquinha”, lembrou. Nazaré esteve em Brasília esta semana e participou de reunião do Iphan onde comemorou a decisão. “Ser tacacazeira é ter orgulho dos nossos ingredientes únicos. A culinária amazônica é viva, potente e merece ser celebrada”, afirmou.

Em Manaus, o tacacá é uma bebida tradicionalmente consumida a partir do meio da tarde, principalmente em bancas espalhadas pelas ruas e calçadas de vários bairros. A banca mais antiga é a banca da Ivete, localizada na rua Ramos Ferreira, esquina com a Tapajós, no Centro.

Conforme Ivete, a banca de tacacá foi criada pela sogra, dona Maria, também conhecida como dona Branca, que criou a receita e o modelo de negócio que é seguido até hoje, com o marido dela, Nonato, sendo o responsável pela compra dos insumos e os dois filhos ajudando no atendimento e cobrança.

Dona Ivete, tacacazeira
Dona Ivete, tacacazeira de Manaus

 

 

 

 


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Para tornar o ofício de tacacazeira patrimônio cultural, o Iphan organizou um projeto de pesquisa e documentação sobre a tradição envolvida no preparo do prato e os saberes relacionados, desde a compra dos ingredientes até a comercialização. O trabalho foi realizado em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A equipe esteve em sete estados documentando e ouvindo as cozinheiras sobre o registro como patrimônio cultural.

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