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COP30: Rascunhos dos acordos são divulgados e cientistas se revoltam com ausência de menção a combustíveis fósseis

Os documentos-base da COP30 foram divulgados na madrugada desta sexta-feira (21/11). As publicações deixaram de fora qualquer menção aos combustíveis fósseis, que eram tratados como central para a conferência.

Membros da comunidade científica e organizações ambientais chegaram a classificar os rascunhos como “traição”, “recusa histórica” e “lacuna inaceitável”, porque o texto retirou por completo a linguagem sobre combustíveis fósseis e apagou qualquer referência aos roadmaps prometidos para transição energética e desmatamento zero.

Os rascunhos, ou drafts, são versões intermediárias dos textos, produzidas à medida que as discussões avançam. As versões publicadas ainda vão ser submetidas às plenárias desta sexta e podem ser alteradas.

Os textos foram publicados pela presidência ao longo da madrugada, após a retomada das negociações, pausadas por um incêndio que atingiu o pavilhão Blue Zone do evento.

Ao longo da COP, a presidência do evento e o presidente Lula citavam uma prioridade: a inclusão de um mapa do caminho para o abandono de combustíveis fósseis e a expectativa era de que o tema fosse central.

O Brasil costurou negociações e na primeira versão do texto, divulgada ainda essa semana, havia menções ao roadmap. Ele era citado como duas opções: workshops entre os países e reuniões ministeriais. Porém, apesar dos esforços do Brasil, o tema não ganhou tração entre os países. Com isso, houve uma tentativa de que fosse incluído, ainda que de forma mais branda.

Na quarta-feira, quando a opção foi divulgada, houve reação de pesquisadores e da sociedade civil que pressionavam por uma versão que avançasse mais com o plano. No entanto, depois de rodadas de negociação, o Brasil voltou atrás e retirou do texto qualquer menção ao fim de combustíveis fósseis.

Em documento assinado por Carlos Nobre, Johan Rockström, Thelma Krug, Paulo Artaxo, Marina Hirota, Piers Forster e Fatima Denton, os cientistas afirmam:

“Apesar de um grande número de países se unirem em torno de roteiros para acabar com a dependência de combustíveis fósseis e com o desmatamento, e do impulso dado pelo presidente do Brasil, as palavras ‘combustíveis fósseis’ estão completamente ausentes do texto mais recente. Isso é uma traição à ciência e às pessoas, especialmente os mais vulneráveis”.

Eles também destacam o orçamento global de carbono está praticamente esgotado e que não há qualquer possibilidade de manter o aquecimento em 1,5 °C sem eliminar gradualmente petróleo, gás e carvão.


Leia mais:

Presidente da COP30 avalia possibilidade de prolongar o evento

COP 30: Como IA pode ser aliada para zerar o desmatamento ilegal


O Observatório do Clima classificou o chamado “Pacote de Belém” como “desequilibrado e não pode se aceito como resultado da conferência”.

O WWF-Brasil também criticou duramente o rascunho. Para o diretor-executivo Maurício Voivodic, o texto “falha em não apresentar propostas para avançarmos na eliminação dos combustíveis fósseis e do desmatamento”, apesar de reconhecer avanços em temas como direitos territoriais de povos indígenas. “É hora de maior ambição e seriedade dos negociadores para que alcancemos resultados concretos que nos coloquem de volta na rota do 1,5°C”, disse.

Ainda na noite de quinta-feira (20), mais de 30 países já haviam se pronunciado pressionando a Presidência da COP30 ao afirmar que não apoiariam um texto final da Cúpula que deixe de fora um mapa do caminho de transição global para longe dos combustíveis fósseis.

A COP30 está prevista para terminar nesta sexta (21), mas o impasse sobre o texto final aumenta a possibilidade de extensão da conferência para o fim de semana.

*Com informações de G1 e CNN Brasil

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Os documentos-base da COP30 foram divulgados na madrugada desta sexta-feira (21/11). As publicações deixaram de fora qualquer menção aos combustíveis fósseis, que eram tratados como central para a conferência.

Membros da comunidade científica e organizações ambientais chegaram a classificar os rascunhos como “traição”, “recusa histórica” e “lacuna inaceitável”, porque o texto retirou por completo a linguagem sobre combustíveis fósseis e apagou qualquer referência aos roadmaps prometidos para transição energética e desmatamento zero.

Os rascunhos, ou drafts, são versões intermediárias dos textos, produzidas à medida que as discussões avançam. As versões publicadas ainda vão ser submetidas às plenárias desta sexta e podem ser alteradas.

Os textos foram publicados pela presidência ao longo da madrugada, após a retomada das negociações, pausadas por um incêndio que atingiu o pavilhão Blue Zone do evento.

Ao longo da COP, a presidência do evento e o presidente Lula citavam uma prioridade: a inclusão de um mapa do caminho para o abandono de combustíveis fósseis e a expectativa era de que o tema fosse central.

O Brasil costurou negociações e na primeira versão do texto, divulgada ainda essa semana, havia menções ao roadmap. Ele era citado como duas opções: workshops entre os países e reuniões ministeriais. Porém, apesar dos esforços do Brasil, o tema não ganhou tração entre os países. Com isso, houve uma tentativa de que fosse incluído, ainda que de forma mais branda.

Na quarta-feira, quando a opção foi divulgada, houve reação de pesquisadores e da sociedade civil que pressionavam por uma versão que avançasse mais com o plano. No entanto, depois de rodadas de negociação, o Brasil voltou atrás e retirou do texto qualquer menção ao fim de combustíveis fósseis.

Em documento assinado por Carlos Nobre, Johan Rockström, Thelma Krug, Paulo Artaxo, Marina Hirota, Piers Forster e Fatima Denton, os cientistas afirmam:

“Apesar de um grande número de países se unirem em torno de roteiros para acabar com a dependência de combustíveis fósseis e com o desmatamento, e do impulso dado pelo presidente do Brasil, as palavras ‘combustíveis fósseis’ estão completamente ausentes do texto mais recente. Isso é uma traição à ciência e às pessoas, especialmente os mais vulneráveis”.

Eles também destacam o orçamento global de carbono está praticamente esgotado e que não há qualquer possibilidade de manter o aquecimento em 1,5 °C sem eliminar gradualmente petróleo, gás e carvão.


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O WWF-Brasil também criticou duramente o rascunho. Para o diretor-executivo Maurício Voivodic, o texto “falha em não apresentar propostas para avançarmos na eliminação dos combustíveis fósseis e do desmatamento”, apesar de reconhecer avanços em temas como direitos territoriais de povos indígenas. “É hora de maior ambição e seriedade dos negociadores para que alcancemos resultados concretos que nos coloquem de volta na rota do 1,5°C”, disse.

Ainda na noite de quinta-feira (20), mais de 30 países já haviam se pronunciado pressionando a Presidência da COP30 ao afirmar que não apoiariam um texto final da Cúpula que deixe de fora um mapa do caminho de transição global para longe dos combustíveis fósseis.

A COP30 está prevista para terminar nesta sexta (21), mas o impasse sobre o texto final aumenta a possibilidade de extensão da conferência para o fim de semana.

*Com informações de G1 e CNN Brasil

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Ivanildo Pereira
Ivanildo Pereira
Repórter de política na Rede Onda Digital, jornalista formado pela Faculdade Martha Falcão Wyden. Política, economia e artes são seus maiores interesses.

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