Mais da metade das mulheres que já se relacionaram com homens declaram ter sofrido algum tipo de violência enquadrada na Lei Maria da Penha, segundo a pesquisa “20 anos da Lei Maria da Penha”, divulgada nesta quarta-feira (29/7) em São Paulo. O levantamento também aponta que 11% dos homens que tiveram relacionamentos com mulheres reconhecem ter cometido algum tipo de violência contra uma parceira, quando questionados sobre tipos específicos de violência.
O estudo foi realizado pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, com apoio da Uber. Segundo a pesquisa, 54% das brasileiras afirmam ter passado por alguma situação de violência cometida por parceiro ou ex-parceiro, número que equivale a 47,7 milhões de mulheres que declaram já ter sofrido violência física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial.
Tipos de violência mais relatados
Entre as mulheres entrevistadas, 42% afirmam ter enfrentado violência psicológica, 25% dizem ter sido vítimas de violência física, 19% declaram ter vivido violência moral, 10% relatam violência sexual e 9% mencionam violência patrimonial.
Do lado dos homens, o levantamento mostra que 7% afirmam ter praticado alguma violência contra parceira ou ex-parceira. Quando questionados sobre tipos específicos, como violência física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial, o índice sobe para 11%. Segundo a pesquisa, os homens não costumam detalhar a violência praticada, mas tentam justificá-la.
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Medo de denunciar é principal obstáculo
O levantamento aponta que o medo de denunciar permanece como o principal entrave ao enfrentamento da violência doméstica. Do total de mulheres ouvidas, 68% sentem medo de denunciar por receio de sofrer represálias, 56% temem a impunidade ou a falta de punição aos agressores, e 39% citam a lentidão da justiça nos processos como obstáculo.
Maioria considera a lei insuficiente
A pesquisa mostra que a Lei Maria da Penha é amplamente conhecida pelos brasileiros: 48% dos homens afirmam conhecê-la bem, assim como 49% das mulheres. Ainda assim, 80% das mulheres consideram que a lei não funciona como deveria, e 82% a avaliam como insuficiente para enfrentar a violência contra a mulher. Apenas 41% das brasileiras concordam que as forças de segurança estão preparadas para atender adequadamente mulheres vítimas de violência.
A lei foi criada em 2006 e homenageia a farmacêutica Maria da Penha, que sobreviveu a duas tentativas de homicídio cometidas pelo marido.
A pesquisa ouviu mil mulheres e 500 homens com 16 anos ou mais, entre 22 e 30 de abril deste ano. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.
