A greve dos Correios continua em todo o país após o Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspender, nesta segunda-feira (21), o julgamento que vai definir se a paralisação é abusiva. A análise do caso será retomada na quinta-feira (24), às 15h30.
Até a retomada da sessão, a orientação da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT) é para que os funcionários permaneçam em greve. A categoria também deve manter o mínimo de 80% do efetivo em cada unidade, conforme determinação judicial anterior.
Julgamento é suspenso
A suspensão foi determinada pelo ministro Vieira de Mello Filho. Segundo o magistrado, documentos foram anexados ao processo na noite de sexta-feira e no sábado, sem que a defesa dos trabalhadores tivesse tempo suficiente para analisá-los.
Para o ministro, uma decisão baseada em materiais que ainda não foram examinados pela parte contrária poderia comprometer o direito de manifestação das entidades envolvidas no processo.
Com a interrupção da sessão, as federações terão 48 horas para avaliar os documentos e apresentar manifestação antes da retomada do julgamento.
Durante a sessão, o ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho chegou a defender a suspensão imediata da greve enquanto o processo estivesse em análise. A proposta, porém, não foi acolhida por Vieira de Mello Filho.
Plano de saúde é principal impasse
A paralisação ocorre principalmente em razão das negociações do novo Acordo Coletivo de Trabalho entre os funcionários e os Correios.
As partes chegaram a avanços em diferentes pontos das negociações, mas permanecem divergências em relação ao plano de saúde oferecido a empregados, aposentados e dependentes.
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A FINDECT defende a manutenção do modelo atual, no qual os Correios são responsáveis pela manutenção do benefício. A entidade afirma que uma eventual mudança na estrutura poderá aumentar os custos para as famílias.
Segundo a federação, o plano de saúde atende mais de 170 mil pessoas, entre trabalhadores, aposentados e dependentes.
Correios acionaram a Justiça
Os Correios recorreram à Justiça após o início da paralisação e pediram que o movimento fosse considerado abusivo.
A estatal afirma que as agências continuam funcionando e que foram adotadas medidas para reduzir os impactos da greve sobre os serviços prestados à população.
Entre as ações estão a realização de mutirões de entrega e o deslocamento de funcionários de áreas administrativas para reforçar as atividades operacionais.
Próximos passos
O julgamento no TST será retomado na quinta-feira (24), às 15h30. Até lá, os trabalhadores permanecem orientados a manter a paralisação, respeitando o efetivo mínimo determinado pela Justiça.
Após a decisão do tribunal, os sindicatos deverão realizar assembleias para avaliar o resultado e definir os próximos passos da categoria.
