O Ministério das Relações Exteriores empossou, na quinta-feira (5/11), os primeiros representantes indígenas a ingressar no curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco. A cerimônia ocorreu no Palácio Itamaraty, em Brasília, e marcou a entrada de Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena, na carreira diplomática brasileira.
Os dois integram a turma de 2026, que participará do curso de formação até 2028. Ao todo, aproximadamente 60 candidatos foram aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).
A nova turma reúne representantes de grupos historicamente sub-representados na diplomacia brasileira. São 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, uma pessoa quilombola e dois indígenas. O grupo também registra a maior participação proporcional feminina da história do Instituto Rio Branco, com 45% de mulheres.
Diversidade
Durante a cerimônia de posse, a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, destacou a importância de ampliar a diversidade na composição do corpo diplomático brasileiro.
“Em tempos de ameaças à democracia e aos direitos duramente reconhecidos na Constituição de 1988, celebrar a entrada dos primeiros diplomatas indígenas e quilombolas brasileiros nessa instituição bicentenária é um ato de resistência”, afirmou.
A ministra também citou medidas adotadas pelo Itamaraty para ampliar o acesso à carreira, como a expansão do Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia. A iniciativa passou a contemplar, além de pessoas negras, mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que a posse representa a concretização do conceito de “Aldear o Estado”, com a presença de indígenas em espaços técnicos e institucionais capazes de influenciar decisões dentro e fora do Brasil.
“É um momento altamente simbólico. Não é apenas um ganho individual ou coletivo, é um ganho de toda a nação e do Estado brasileiro”, declarou.
O escritor indígena Ailton Krenak, convidado de honra da cerimônia, também destacou a importância da presença das famílias e das crianças indígenas no evento.
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Quem são?
Marcelo Kariri Menezes é natural de Campina Grande, na Paraíba, e graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Também possui MBA em Digital Business pela USP/Esalq.
Entre 2021 e 2025, trabalhou como engenheiro de suporte a produtos e também é autor de um livro infantojuvenil.
Durante a cerimônia, Marcelo relatou as dificuldades enfrentadas por sua família para acessar a educação e destacou o incentivo da mãe para seguir os estudos.
Já Idjahure Achkar Terena é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre na mesma área pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também é bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Filho do artista Macsuara Kadiwéu, Idjahure afirmou que sua entrada no Itamaraty representa um passo para superar um histórico de exclusão dos povos indígenas nas instituições brasileiras.
