O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva do pastor Márcio Poncio em prisão domiciliar. A decisão determina o uso de tornozeleira eletrônica e estabelece outras medidas cautelares. Poncio foi preso na quinta-feira (2), durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que investiga um suposto esquema de pagamentos ligados ao jogo do bicho e à chamada “Máfia do Cigarro” a agentes públicos.
Decisão considera estado de saúde
Ao autorizar a prisão domiciliar, Alexandre de Moraes considerou o estado de saúde de Márcio Poncio. Segundo a decisão, o pastor sofre de retocolite ulcerativa grave, passou por cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto e necessita de tratamento contínuo. O ministro também levou em conta a gravidez de alto risco da esposa do investigado.
Leia mais
Bolsonaro conversa com sósia de Lula que participou do ato em SP
Ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella deixa prisão após decisão de Moraes
Além do monitoramento eletrônico, Poncio está proibido de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados e de utilizar redes sociais. A decisão também determina a suspensão imediata de eventuais registros de porte de arma de fogo em seu nome e a entrega dos passaportes.
Operação investiga lavagem de dinheiro
Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. No momento da prisão, agentes da PF localizaram o pastor em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Também foram alvos de mandados de prisão o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.
De acordo com a Polícia Federal, esta fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar a investigação sobre indícios de lavagem de dinheiro atribuídos à nova cúpula do jogo do bicho e de possíveis ramificações do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Segundo informações divulgadas pela TV Globo, pelo menos 20 políticos são investigados por supostamente receber pagamentos mensais de Adilsinho. Em abril, o ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou ter ouvido de um diretor da Polícia Federal relatos de que mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro receberiam mesadas provenientes do jogo do bicho.
