A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou um acordo com a farmacêutica Gilead Sciences para facilitar o acesso ao lenacapavir, medicamento injetável utilizado na prevenção do HIV. O Brasil está entre os 14 países da América Latina que poderão adquirir o produto por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da entidade.
O lenacapavir é uma modalidade de profilaxia pré-exposição ao HIV, conhecida como PrEP, administrada por injeção subcutânea a cada seis meses. O medicamento é indicado para adultos e adolescentes com mais de 12 anos e peso mínimo de 35 quilos que tenham risco de adquirir o HIV-1 por via sexual.
Além do Brasil, a iniciativa contempla Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
Os Fundos Rotatórios Regionais reúnem a demanda dos países participantes para negociar e realizar compras conjuntas de medicamentos e outras tecnologias de saúde em condições consideradas mais favoráveis.
Disponibilidade no SUS não será imediata
Apesar do anúncio, o acordo não significa que o medicamento estará imediatamente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). A introdução do lenacapavir nos programas nacionais ocorrerá de forma progressiva e dependerá de decisões de cada país, como definição de protocolos clínicos, treinamento de profissionais e planejamento da rede de atendimento.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em janeiro de 2026, o uso do Sunlenca, nome comercial do lenacapavir, como PrEP. A disponibilização pelo SUS, entretanto, ainda depende de avaliação e recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), além da aprovação do Ministério da Saúde.
A aplicação deve ser realizada por profissional de saúde. Antes de iniciar o medicamento, o paciente precisa apresentar resultado negativo para HIV-1.
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Estudos indicaram alta eficácia
Segundo a Opas, estudos clínicos apontaram eficácia próxima de 100% na prevenção da infecção pelo HIV. No estudo Purpose 1, o medicamento apresentou 100% de eficácia na redução da incidência do vírus entre mulheres cisgênero. No Purpose 2, a eficácia chegou a 96% em comparação com a incidência estimada de HIV entre homens cisgênero e pessoas de gênero diverso.
A Opas estima que aproximadamente 140 mil novas infecções pelo HIV ocorram anualmente na América Latina e no Caribe.
O acordo prevê ainda o avanço de um processo de transferência de tecnologia para possibilitar, futuramente, a produção do medicamento no Brasil. Os prazos, os mecanismos e a unidade responsável pela eventual fabricação ainda não foram definidos.
