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Nomes fora do favoritismo miram capital político no Amazonas

A disputa pelas duas vagas do Amazonas no Senado começa a ganhar forma, mas nem todos os nove candidatos partem do mesmo ponto. De um lado estão nomes com trajetória política, mandato, estrutura partidária e alto grau de reconhecimento. Do outro, candidaturas que ainda lutam para entrar no radar do eleitorado e que podem estar disputando, além dos votos de outubro, a construção de um espaço político para o futuro.

É nesse segundo grupo que aparecem Evandro de Oliveira (PSTU), Ismael Munduruku (Rede), Dailson Corrêa (DC), Xuxa do Amazonas (Mobiliza) e Professora Evany (PSOL). Os cinco têm perfis diferentes, mas enfrentam o mesmo desafio: transformar uma candidatura com menor estrutura em presença política suficiente para ser percebida pelo eleitor.

A pergunta, portanto, não é apenas se algum deles conseguirá chegar às duas vagas. É também quem está conseguindo ser visto, ouvido e reconhecido durante a campanha e quem poderá terminar a eleição mais conhecido do que começou.

A pesquisa ainda mostra uma distância

Em pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e divulgada em julho, Eduardo Braga aparecia com 21,8% na consolidação do primeiro e segundo votos, seguido por Capitão Alberto Neto, com 17,3%, Wilson Lima, com 13,8%, e Plínio Valério, com 13,4%. Entre os nomes de menor pontuação, Xuxa tinha 0,7% e Ismael Munduruku, 0,5%.

Um levantamento mais recente, divulgado em agosto, apresentou Ismael com 2,8% das respostas, enquanto Xuxa apareceu com 0,6%. O mesmo cenário registrou 24,1% de entrevistados que não souberam ou não responderam, indicando que ainda existe espaço para movimentação e tempo para mudanças de posição.

Para a cientista política Érica Lima Barbosa Aguiar, esse espaço favorece nomes hoje distantes dos favoritos.

“Todo candidato que hoje possui forte recall político também começou sem reconhecimento. Candidaturas novas podem crescer quando apresentam uma causa clara, uma narrativa coerente, energia de campanha e estratégias capazes de gerar identificação com segmentos específicos do eleitorado”, disse Érica.

A avaliação coloca em perspectiva o baixo desempenho inicial de alguns candidatos: uma votação pequena nas primeiras pesquisas não significa necessariamente ausência de potencial, principalmente em uma eleição ainda em fase de construção.

Cientista política Érica Lima (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem consegue transformar pauta em reconhecimento?

Ismael Munduruku é provavelmente o nome desse grupo que mais conseguiu construir identidade própria. Advogado e liderança indígena, sua candidatura está associada à representação dos povos originários e à defesa da Amazônia.

A Federação PSOL-Rede também colocou a questão indígena no centro de sua estratégia eleitoral, com candidaturas ao Governo e ao Senado. Não por acaso, Ismael já aparece nos levantamentos, ainda que distante do grupo da frente, e teve participação em agendas públicas da federação logo no início da campanha. O desafio agora é transformar identidade política em escala eleitoral.

Professora Evany, com 0,2% na pesquisa DNP – Nº 08020/2026, é professora de ensino superior e candidata pelo PSOL, com trajetória ligada à educação e à militância política. Já havia disputado eleição para vereadora de Manaus em 2024.

Evandro de Oliveira, com 0,3% das intenções de voto, representa uma candidatura ainda mais vinculada à identidade ideológica. Técnico de mecânica e candidato do PSTU, já havia disputado eleição para deputado federal em 2018. Sua candidatura tem potencial para falar diretamente com trabalhadores e setores organizados, mas precisa vencer a dificuldade histórica das siglas de esquerda radical para ampliar seu eleitorado.

Dailson Corrêa, do Democracia Cristã, e Xuxa do Amazonas, do Mobiliza, apostam em caminhos diferentes: Dailson tenta construir espaço a partir de uma legenda pequena e de candidatura própria ao Senado; Xuxa carrega no nome de urna uma estratégia de diferenciação e já disputou eleições municipais anteriores, tendo sido suplente de vereador em Manaus em 2008, 2012 e 2016.

A campanha também é uma vitrine

Carlos Santiago, advogado e sociólogo (Foto: Divulgação)

Para o cientista político Carlos Santiago, essas candidaturas não devem ser vistas apenas pela possibilidade imediata de vitória. Elas também cumprem função dentro do sistema partidário: expressam pluralismo e posições ideológicas, e dão às legendas a oportunidade de colocar novas lideranças na vitrine, formar quadros e reafirmar valores políticos.

“O terceiro aspecto também muito importante é aproveitar essa janela das eleições para fortalecer as legendas, colocar na vitrine política lideranças, construir novos quadros para política e reafirmar valores”, disse.

Essa leitura ajuda a entender por que partidos pequenos continuam lançando candidatos mesmo diante de disputa majoritária dominada por nomes conhecidos. A eleição funciona como um laboratório político, no qual o candidato testa discurso, identifica seu público, constrói uma rede de apoiadores e mede sua capacidade de mobilização.

“Essas candidaturas representam um pluralismo partidário, de autorização legal, ideologias que estão nas agremiações, nas siglas partidárias, que buscam convencer a sociedade sobre o que pensam, o que defendem, o que querem”, explicou Santiago.


Leia mais

Conheça os candidatos ao Senado pelo Amazonas em 2026

Paralisações em Manaus expõem precarização do trabalho


Capital político pode ser o resultado possível

Segundo Érica Lima, no Amazonas, onde mais de 2,8 milhões de pessoas estão aptas a votar segundo o TRE-AM, até uma parcela pequena representa milhares de votos. “Por isso, esses nomes não devem ser ignorados: diante de um eleitorado ainda indeciso e aberto à renovação, podem fragmentar votos, ocupar nichos sociais e interferir no desempenho dos favoritos”, disse a cientista política.

Existe ainda outro ganho possível: o capital político acumulado durante a campanha. Uma candidatura que hoje aparece com 1% ou 2%, por exemplo, pode não chegar perto da eleição para o Senado, mas pode sair das urnas com marca reconhecida, rede de apoiadores e pauta associada ao seu nome. É aí que a derrota eleitoral pode não significar necessariamente fracasso político.

Quem está conseguindo ser visto?

A questão central passa a ser menos sobre quem aparece na frente das pesquisas e mais sobre quem está conseguindo furar a bolha das próprias candidaturas.

Ismael tem pauta definida e identidade ligada à representação indígena. Xuxa aposta na diferenciação do próprio nome e na renovação política. Evandro mantém candidatura ideológica vinculada à pauta dos trabalhadores. Evany tem na educação e na atuação acadêmica uma possível identidade eleitoral. Dailson tenta ocupar espaço por meio de legenda pequena e candidatura própria.

Mas ainda há distância entre existir como candidato e existir como opção conhecida do eleitor. Essa diferença será decisiva nas próximas semanas: agenda de rua, redes sociais, entrevistas, debates, alianças, capacidade de produzir fatos políticos e, sobretudo, a associação do nome a uma causa reconhecível podem determinar quais candidaturas conseguirão crescer.

“Mesmo sem vencer, uma campanha bem construída acumula capital político, amplia o reconhecimento público e pode preparar uma candidatura mais competitiva no futuro”, concluiu Érica.

A eleição, portanto, poderá produzir dois resultados diferentes para esses candidatos: o resultado das urnas e o tamanho do capital político construído durante a campanha. Para alguns, outubro pode significar apenas uma votação; para outros, pode ser o primeiro passo para transformar um nome pouco conhecido em uma liderança com condições de disputar eleições maiores no futuro.

Será necessário acompanhar até 4 de outubro para saber qual dessas candidaturas conseguirá sair da condição de “nome alternativo” para se tornar uma marca política reconhecida no Amazonas.

 

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A disputa pelas duas vagas do Amazonas no Senado começa a ganhar forma, mas nem todos os nove candidatos partem do mesmo ponto. De um lado estão nomes com trajetória política, mandato, estrutura partidária e alto grau de reconhecimento. Do outro, candidaturas que ainda lutam para entrar no radar do eleitorado e que podem estar disputando, além dos votos de outubro, a construção de um espaço político para o futuro.

É nesse segundo grupo que aparecem Evandro de Oliveira (PSTU), Ismael Munduruku (Rede), Dailson Corrêa (DC), Xuxa do Amazonas (Mobiliza) e Professora Evany (PSOL). Os cinco têm perfis diferentes, mas enfrentam o mesmo desafio: transformar uma candidatura com menor estrutura em presença política suficiente para ser percebida pelo eleitor.

A pergunta, portanto, não é apenas se algum deles conseguirá chegar às duas vagas. É também quem está conseguindo ser visto, ouvido e reconhecido durante a campanha e quem poderá terminar a eleição mais conhecido do que começou.

A pesquisa ainda mostra uma distância

Em pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e divulgada em julho, Eduardo Braga aparecia com 21,8% na consolidação do primeiro e segundo votos, seguido por Capitão Alberto Neto, com 17,3%, Wilson Lima, com 13,8%, e Plínio Valério, com 13,4%. Entre os nomes de menor pontuação, Xuxa tinha 0,7% e Ismael Munduruku, 0,5%.

Um levantamento mais recente, divulgado em agosto, apresentou Ismael com 2,8% das respostas, enquanto Xuxa apareceu com 0,6%. O mesmo cenário registrou 24,1% de entrevistados que não souberam ou não responderam, indicando que ainda existe espaço para movimentação e tempo para mudanças de posição.

Para a cientista política Érica Lima Barbosa Aguiar, esse espaço favorece nomes hoje distantes dos favoritos.

“Todo candidato que hoje possui forte recall político também começou sem reconhecimento. Candidaturas novas podem crescer quando apresentam uma causa clara, uma narrativa coerente, energia de campanha e estratégias capazes de gerar identificação com segmentos específicos do eleitorado”, disse Érica.

A avaliação coloca em perspectiva o baixo desempenho inicial de alguns candidatos: uma votação pequena nas primeiras pesquisas não significa necessariamente ausência de potencial, principalmente em uma eleição ainda em fase de construção.

Cientista política Érica Lima (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem consegue transformar pauta em reconhecimento?

Ismael Munduruku é provavelmente o nome desse grupo que mais conseguiu construir identidade própria. Advogado e liderança indígena, sua candidatura está associada à representação dos povos originários e à defesa da Amazônia.

A Federação PSOL-Rede também colocou a questão indígena no centro de sua estratégia eleitoral, com candidaturas ao Governo e ao Senado. Não por acaso, Ismael já aparece nos levantamentos, ainda que distante do grupo da frente, e teve participação em agendas públicas da federação logo no início da campanha. O desafio agora é transformar identidade política em escala eleitoral.

Professora Evany, com 0,2% na pesquisa DNP – Nº 08020/2026, é professora de ensino superior e candidata pelo PSOL, com trajetória ligada à educação e à militância política. Já havia disputado eleição para vereadora de Manaus em 2024.

Evandro de Oliveira, com 0,3% das intenções de voto, representa uma candidatura ainda mais vinculada à identidade ideológica. Técnico de mecânica e candidato do PSTU, já havia disputado eleição para deputado federal em 2018. Sua candidatura tem potencial para falar diretamente com trabalhadores e setores organizados, mas precisa vencer a dificuldade histórica das siglas de esquerda radical para ampliar seu eleitorado.

Dailson Corrêa, do Democracia Cristã, e Xuxa do Amazonas, do Mobiliza, apostam em caminhos diferentes: Dailson tenta construir espaço a partir de uma legenda pequena e de candidatura própria ao Senado; Xuxa carrega no nome de urna uma estratégia de diferenciação e já disputou eleições municipais anteriores, tendo sido suplente de vereador em Manaus em 2008, 2012 e 2016.

A campanha também é uma vitrine

Carlos Santiago, advogado e sociólogo (Foto: Divulgação)

Para o cientista político Carlos Santiago, essas candidaturas não devem ser vistas apenas pela possibilidade imediata de vitória. Elas também cumprem função dentro do sistema partidário: expressam pluralismo e posições ideológicas, e dão às legendas a oportunidade de colocar novas lideranças na vitrine, formar quadros e reafirmar valores políticos.

“O terceiro aspecto também muito importante é aproveitar essa janela das eleições para fortalecer as legendas, colocar na vitrine política lideranças, construir novos quadros para política e reafirmar valores”, disse.

Essa leitura ajuda a entender por que partidos pequenos continuam lançando candidatos mesmo diante de disputa majoritária dominada por nomes conhecidos. A eleição funciona como um laboratório político, no qual o candidato testa discurso, identifica seu público, constrói uma rede de apoiadores e mede sua capacidade de mobilização.

“Essas candidaturas representam um pluralismo partidário, de autorização legal, ideologias que estão nas agremiações, nas siglas partidárias, que buscam convencer a sociedade sobre o que pensam, o que defendem, o que querem”, explicou Santiago.


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Segundo Érica Lima, no Amazonas, onde mais de 2,8 milhões de pessoas estão aptas a votar segundo o TRE-AM, até uma parcela pequena representa milhares de votos. “Por isso, esses nomes não devem ser ignorados: diante de um eleitorado ainda indeciso e aberto à renovação, podem fragmentar votos, ocupar nichos sociais e interferir no desempenho dos favoritos”, disse a cientista política.

Existe ainda outro ganho possível: o capital político acumulado durante a campanha. Uma candidatura que hoje aparece com 1% ou 2%, por exemplo, pode não chegar perto da eleição para o Senado, mas pode sair das urnas com marca reconhecida, rede de apoiadores e pauta associada ao seu nome. É aí que a derrota eleitoral pode não significar necessariamente fracasso político.

Quem está conseguindo ser visto?

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Ismael tem pauta definida e identidade ligada à representação indígena. Xuxa aposta na diferenciação do próprio nome e na renovação política. Evandro mantém candidatura ideológica vinculada à pauta dos trabalhadores. Evany tem na educação e na atuação acadêmica uma possível identidade eleitoral. Dailson tenta ocupar espaço por meio de legenda pequena e candidatura própria.

Mas ainda há distância entre existir como candidato e existir como opção conhecida do eleitor. Essa diferença será decisiva nas próximas semanas: agenda de rua, redes sociais, entrevistas, debates, alianças, capacidade de produzir fatos políticos e, sobretudo, a associação do nome a uma causa reconhecível podem determinar quais candidaturas conseguirão crescer.

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