A situação do trabalhador no mercado de trabalho aparece como uma das linhas de divisão do eleitorado na pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (17). No cenário de primeiro turno, Lula lidera entre trabalhadores informais e desempregados, enquanto Flávio Bolsonaro aparece à frente entre os trabalhadores do setor formal.
Entre os informais, Lula soma 42% das intenções de voto, contra 38% de Flávio. Entre os desempregados, a diferença é ainda maior, com o presidente chegando a 52%, contra 24% do senador. Já entre os trabalhadores formais, o cenário se inverte, com Flávio alcançando 42%, contra 33% de Lula.
O levantamento foi realizado entre 14 e 16 de agosto, com 2.003 entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Diferença aparece entre formais, informais e desempregados
O recorte chama atenção porque a situação profissional produz diferenças relevantes na intenção de voto. Entre os trabalhadores formais, a vantagem de Flávio sobre Lula é de nove pontos percentuais.
No grupo dos informais, Lula passa à frente por quatro pontos. Entre os desempregados, a vantagem do presidente chega a 28 pontos percentuais.
A pesquisa considera como trabalhadores formais aqueles inseridos em relações de trabalho com vínculo formal, enquanto os informais correspondem ao grupo sem esse tipo de proteção. O levantamento também separa os entrevistados que estão atualmente desempregados.
Os números mostram uma associação entre condição no mercado de trabalho e intenção de voto, mas não permitem afirmar que uma situação seja responsável pela escolha eleitoral.
Perfil político também muda conforme situação profissional
A diferença não aparece apenas na intenção de voto. A pesquisa também mostra variações na identificação política dos grupos.
Entre os trabalhadores formais, 35% são classificados como bolsonaristas convictos, contra 23% de lulistas convictos. Entre os informais, os bolsonaristas convictos representam 30% e os lulistas convictos, 22%.
Já entre os desempregados, a proporção de bolsonaristas convictos cai para 15%, enquanto 34% são classificados como lulistas convictos. O grupo de não polarizados também é maior entre desempregados e informais do que entre trabalhadores formais.
O resultado indica que a divisão observada nas intenções de voto acompanha diferenças na própria composição política desses grupos.
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Renda também separa as preferências
A pesquisa mostra ainda que a divisão eleitoral acompanha, em parte, o nível de renda, embora os dois recortes não sejam equivalentes.
Entre os entrevistados que recebem até um salário mínimo, Lula tem vantagem sobre Flávio. O presidente também aparece à frente entre quem recebe de um a dois salários mínimos.
A partir das faixas de renda mais elevadas, porém, Flávio passa a liderar. Entre quem recebe de dois a cinco salários mínimos, o senador tem 41%, contra 34% de Lula. No grupo com renda superior a cinco salários mínimos, Flávio aparece com 40%, contra 37% de Lula.
O cruzamento mostra que renda e situação profissional apresentam padrões relacionados, mas não idênticos. Um trabalhador informal pode estar em diferentes faixas de rendimento, assim como um trabalhador formal.
Lula mantém vantagem no cenário nacional
Apesar das diferenças entre os grupos profissionais, Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro no cenário geral de primeiro turno.
O presidente tem 41% das intenções de voto, contra 36% do senador. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado, com 5%, e Renan Santos e Romeu Zema, com 4% cada.
O recorte por situação profissional mostra, portanto, que a disputa nacional é formada por grupos com comportamentos eleitorais distintos. Lula concentra vantagem entre informais e desempregados, enquanto Flávio apresenta desempenho superior entre trabalhadores formais e nas faixas de renda mais elevadas.
Pesquisa
A pesquisa BTG/Nexus foi divulgada nesta segunda-feira (17). O levantamento ouviu 2.003 pessoas entre 14 e 16 de agosto de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.


