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Barco voador da Amazônia inicia testes até dezembro

Até o fim deste ano, a Amazônia deve ver operar, pela primeira vez, um barco voador brasileiro. A startup AeroRiver, sediada em Manaus, está com o primeiro veículo tripulado do projeto em construção avançada e prevê iniciar os testes operacionais na região entre dezembro e fevereiro.

“No final desse ano, a gente já vai estar com o nosso primeiro veículo tripulado”, afirma o engenheiro eletricista Túlio Duarte, cofundador da AeroRiver. “O nosso primeiro já está em construção, em construção avançada”, garantiu Túlio Duarte, có-fundador da Aeroriver.

O modelo, batizado de Voadeiro, tem capacidade para quatro passageiros ou 250 quilos de carga. Ele é híbrido, com motorização a combustão e motores elétricos auxiliares que ajudam na decolagem, e consome entre sete e oito quilômetros por litro de gasolina comum, um consumo próximo ao de um automóvel.

A tecnologia é conhecida como veículo de efeito solo, que voa a baixa altura sobre a água aproveitando um fenômeno aerodinâmico que aumenta a sustentação e reduz o arrasto. Segundo a empresa, o custo estimado das passagens deve ficar mais barato do que uma aeronave e cerca de 10% a 15% mais caro do que uma lancha rápida, com ganho principal no tempo de deslocamento.

“A estimativa é que ele fica em torno de 60, 70% mais barato do que uma aeronave”, estima Duarte.

Outro ganho é no tempo de viagem. Um exemplo citado pela empresa é o trajeto entre Manaus e Parintins, hoje feito em cerca de dez horas por via fluvial e que, com o novo veículo, passaria a ser cumprido em aproximadamente três horas.

Como está a montagem do barco

A estrutura do Voadeiro, com dimensões de aproximadamente dez por dez metros, está sendo construída em parte em Manaus e em parte em São José dos Campos, polo aeronáutico do país. Lá, a equipe conta com profissionais de diversas empresas de aviação, responsáveis pelo projeto estrutural e pela construção do veículo. A montagem final ocorre em Manaus.

Segundo a empresa, o veículo é regulamentado internacionalmente como embarcação, e não como aeronave, com base em normas da Organização Marítima Internacional em conjunto com a Organização de Aviação Civil Internacional. A Agência Nacional de Aviação Civil já teria documentos que colocam esse tipo de veículo fora da certificação aeronáutica. Para operar, é necessária carta náutica somada a um curso de pilotagem específico do equipamento.

Além do Voadeiro, a AeroRiver projeta um modelo maior, o Volitã, terceiro item do roadmap da empresa. Com capacidade prevista para 12 ocupantes e velocidade de 150 quilômetros por hora, o veículo é voltado a operações de maior porte dentro da mesma tecnologia de efeito solo.

Drones para entregas na região

Em paralelo aos veículos tripulados, a AeroRiver já comercializa um drone de efeito solo não tripulado, batizado de Stingray, também chamado internamente de Igara em sua versão voltada ao transporte de bioinsumos, em parceria com um programa prioritário de bioeconomia.

“É um drone que voa a 90 quilômetros por hora, sobre a água, navegando sem contato com ela, extremamente eficiente e com capacidade para 15 quilos de carga”, explica Duarte.

A proposta é usá-lo para entregas rápidas de itens como medicamentos, amostras para laboratório, peças e alimentos entre comunidades da região. A empresa reconhece que a conectividade na Amazônia ainda é um desafio para a operação do equipamento e diz trabalhar em alternativas para resolver a limitação.

Como surgiu a AeroRiver

A ideia da empresa nasceu durante a pandemia, quando os desafios logísticos da Amazônia ficaram mais evidentes. A AeroRiver foi fundada por Túlio Duarte, engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e radicado há mais de 20 anos em Manaus, ao lado de Lucas Guimarães e Felipe Bortolete, ambos com formação em engenharia mecânica pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e mestrado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Os três identificaram que a região carecia de uma alternativa entre o barco, lento, e o avião, caro, e passaram a estudar os veículos de efeito solo, tecnologia usada pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial e retomada com sensores e avanços tecnológicos mais recentes. A partir desse estudo, os fundadores desenvolveram pesquisas e testes próprios, incluindo teses de doutorado, para adaptar a tecnologia às condições dos rios amazônicos.

Reconhecimento nacional e internacional

Ao longo do desenvolvimento, o projeto Volitã ganhou repercussão dentro e fora do país. A AeroRiver integrou delegações brasileiras em eventos internacionais como o Web Summit de Lisboa, com apoio do Sebrae e da ApexBrasil, recebeu recursos da Finep para o desenvolvimento do projeto e venceu o Prêmio Finep de Inovação. A startup também acumula participação em programas de empreendedorismo e destaca-se como o primeiro projeto de veículo de efeito solo em desenvolvimento no Brasil.

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Até o fim deste ano, a Amazônia deve ver operar, pela primeira vez, um barco voador brasileiro. A startup AeroRiver, sediada em Manaus, está com o primeiro veículo tripulado do projeto em construção avançada e prevê iniciar os testes operacionais na região entre dezembro e fevereiro.

“No final desse ano, a gente já vai estar com o nosso primeiro veículo tripulado”, afirma o engenheiro eletricista Túlio Duarte, cofundador da AeroRiver. “O nosso primeiro já está em construção, em construção avançada”, garantiu Túlio Duarte, có-fundador da Aeroriver.

O modelo, batizado de Voadeiro, tem capacidade para quatro passageiros ou 250 quilos de carga. Ele é híbrido, com motorização a combustão e motores elétricos auxiliares que ajudam na decolagem, e consome entre sete e oito quilômetros por litro de gasolina comum, um consumo próximo ao de um automóvel.

A tecnologia é conhecida como veículo de efeito solo, que voa a baixa altura sobre a água aproveitando um fenômeno aerodinâmico que aumenta a sustentação e reduz o arrasto. Segundo a empresa, o custo estimado das passagens deve ficar mais barato do que uma aeronave e cerca de 10% a 15% mais caro do que uma lancha rápida, com ganho principal no tempo de deslocamento.

“A estimativa é que ele fica em torno de 60, 70% mais barato do que uma aeronave”, estima Duarte.

Outro ganho é no tempo de viagem. Um exemplo citado pela empresa é o trajeto entre Manaus e Parintins, hoje feito em cerca de dez horas por via fluvial e que, com o novo veículo, passaria a ser cumprido em aproximadamente três horas.

Como está a montagem do barco

A estrutura do Voadeiro, com dimensões de aproximadamente dez por dez metros, está sendo construída em parte em Manaus e em parte em São José dos Campos, polo aeronáutico do país. Lá, a equipe conta com profissionais de diversas empresas de aviação, responsáveis pelo projeto estrutural e pela construção do veículo. A montagem final ocorre em Manaus.

Segundo a empresa, o veículo é regulamentado internacionalmente como embarcação, e não como aeronave, com base em normas da Organização Marítima Internacional em conjunto com a Organização de Aviação Civil Internacional. A Agência Nacional de Aviação Civil já teria documentos que colocam esse tipo de veículo fora da certificação aeronáutica. Para operar, é necessária carta náutica somada a um curso de pilotagem específico do equipamento.

Além do Voadeiro, a AeroRiver projeta um modelo maior, o Volitã, terceiro item do roadmap da empresa. Com capacidade prevista para 12 ocupantes e velocidade de 150 quilômetros por hora, o veículo é voltado a operações de maior porte dentro da mesma tecnologia de efeito solo.

Drones para entregas na região

Em paralelo aos veículos tripulados, a AeroRiver já comercializa um drone de efeito solo não tripulado, batizado de Stingray, também chamado internamente de Igara em sua versão voltada ao transporte de bioinsumos, em parceria com um programa prioritário de bioeconomia.

“É um drone que voa a 90 quilômetros por hora, sobre a água, navegando sem contato com ela, extremamente eficiente e com capacidade para 15 quilos de carga”, explica Duarte.

A proposta é usá-lo para entregas rápidas de itens como medicamentos, amostras para laboratório, peças e alimentos entre comunidades da região. A empresa reconhece que a conectividade na Amazônia ainda é um desafio para a operação do equipamento e diz trabalhar em alternativas para resolver a limitação.

Como surgiu a AeroRiver

A ideia da empresa nasceu durante a pandemia, quando os desafios logísticos da Amazônia ficaram mais evidentes. A AeroRiver foi fundada por Túlio Duarte, engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e radicado há mais de 20 anos em Manaus, ao lado de Lucas Guimarães e Felipe Bortolete, ambos com formação em engenharia mecânica pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e mestrado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Os três identificaram que a região carecia de uma alternativa entre o barco, lento, e o avião, caro, e passaram a estudar os veículos de efeito solo, tecnologia usada pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial e retomada com sensores e avanços tecnológicos mais recentes. A partir desse estudo, os fundadores desenvolveram pesquisas e testes próprios, incluindo teses de doutorado, para adaptar a tecnologia às condições dos rios amazônicos.

Reconhecimento nacional e internacional

Ao longo do desenvolvimento, o projeto Volitã ganhou repercussão dentro e fora do país. A AeroRiver integrou delegações brasileiras em eventos internacionais como o Web Summit de Lisboa, com apoio do Sebrae e da ApexBrasil, recebeu recursos da Finep para o desenvolvimento do projeto e venceu o Prêmio Finep de Inovação. A startup também acumula participação em programas de empreendedorismo e destaca-se como o primeiro projeto de veículo de efeito solo em desenvolvimento no Brasil.

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