A Polícia Civil do Amazonas cumpriu, na manhã desta sexta-feira (6/11), mandado de busca e apreensão na residência que seria da ex-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo Seffair (PL), na zona Centro-Sul de Manaus.
A diligência integra a investigação sobre a produção e a suposta divulgação de vídeos nas redes sociais que usaram a imagem da filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD) durante a campanha eleitoral de 2026.
A operação ocorreu depois de o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) restabelecer a autorização para o cumprimento do mandado. A ordem havia sido suspensa por liminar concedida em 30 de outubro, e o desembargador Paulo Feitoza revogou a decisão três dias depois.
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O inquérito é conduzido pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) e apura possíveis crimes previstos nos artigos 241-A e 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), relacionados à divulgação e à manipulação de imagens envolvendo menores de idade. A Polícia Civil ainda não divulgou nota.
Vídeos com imagem de adolescente motivaram investigação
Na reta final da disputa eleitoral, vídeos que circulavam em redes sociais e aplicativos de mensagens associavam Omar Aziz a acusações de pedofilia e usavam a imagem de sua filha adolescente.
O governador eleito criticou a exposição da família e anunciou que acionaria a Justiça para identificar os responsáveis pelo material.
A Polícia Civil passou a investigar a origem, a produção e a distribuição dos conteúdos. A apuração também alcançou profissionais de comunicação e marketing que trabalharam na campanha de Maria do Carmo.
Em 29 de outubro, policiais cumpriram buscas em endereços ligados a esses profissionais, em Manaus e São Paulo, para reunir provas sobre a participação de cada envolvido na produção e na divulgação do material.
Defesa de Maria do Carmo contesta medidas judiciais
Segundo a defesa, Maria do Carmo compareceu espontaneamente à Depca em 29 de outubro e manifestou disposição para colaborar com a investigação. Os advogados questionaram a necessidade da busca domiciliar e recorreram ao TJAM.
Em 30 de outubro, uma liminar suspendeu temporariamente o mandado. Em 3 de novembro, o desembargador Paulo Feitoza revogou a decisão e restabeleceu a autorização para as buscas.
A defesa também apresentou um segundo habeas corpus para tentar evitar eventual prisão preventiva ou temporária. Os advogados sustentaram que a ex-candidata pretende colaborar com as autoridades e admitiram o cumprimento de medidas cautelares alternativas, incluindo a entrega do passaporte.
A investigação segue em andamento. A busca e apreensão não representa condenação nem comprova eventual participação de Maria do Carmo na produção ou na divulgação dos vídeos. A responsabilidade dos envolvidos dependerá da análise das provas e do andamento dos procedimentos judiciais.
Procurada pela Rede Onda Digital, a assessoria de Maria do Carmo afirmou que aguarda o jurídico se posicionar.
