O avanço do trabalho híbrido e o uso crescente da inteligência artificial têm impulsionado uma nova preocupação no ambiente corporativo: o chamado quiet cracking, termo usado para descrever um tipo de esgotamento silencioso em que profissionais continuam produtivos, mas enfrentam altos níveis de estresse e desgaste emocional.
O fenômeno é associado ao burnout, síndrome ligada ao estresse crônico no trabalho e geralmente causada por fatores como excesso de demandas, pressão constante, falta de reconhecimento e apoio profissional. Diferente de outros sinais mais evidentes de exaustão, o quiet cracking costuma passar despercebido, já que os trabalhadores mantêm entregas, participam de reuniões e aparentam normalidade.
Entre os principais sintomas estão fadiga emocional, irritabilidade, dificuldade de concentração, isolamento social, dores de cabeça e problemas digestivos. Especialistas alertam que o quadro pode ser agravado pela combinação entre retorno gradual ao trabalho presencial, excesso de reuniões virtuais e sobrecarga digital.
Dados do relatório State of Hybrid Work, da Owl Labs, apontam que 90% dos trabalhadores avaliam que o estresse está igual ou pior do que no ano anterior, enquanto quase metade demonstra insegurança em relação à estabilidade no emprego.
Para especialistas, o combate ao burnout silencioso exige maior atenção das lideranças, com incentivo ao diálogo sobre sobrecarga, adoção de estratégias de gestão do tempo e uso mais equilibrado da inteligência artificial nas rotinas de trabalho. A avaliação é de que produtividade nem sempre reflete o estado emocional dos profissionais, tornando essencial identificar sinais de desgaste antes que o problema se agrave.
*Com informações do Exame e Época Negócios