Manaus encerra agosto sob uma sequência de dias de calor intenso, com temperaturas acima da média para o período e novos recordes registrados ao longo do mês. Nesta segunda-feira (31/8), a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica máxima de 37°C na capital.
O cenário ganhou ainda mais atenção depois que Manaus registrou 37,1°C no dia 25 de agosto, a maior temperatura do ano até o momento. A marca superou os registros de 36,2°C, no dia 10, e 36,3°C, no dia 11, fazendo de agosto o mês com as três maiores temperaturas de 2026 na capital.
Apesar da sequência de calor, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) ainda não aprovou nenhum Projeto de Lei específico voltado ao enfrentamento das altas temperaturas. A discussão já aparece entre os vereadores, seja por propostas protocoladas, seja por cobranças feitas em plenário.
Um dos movimentos partiu do vereador Ivo Neto (Democrata), que protocolou sete projetos relacionados ao calor extremo, voltados a áreas consideradas vulneráveis aos seus efeitos. As propostas incluem disponibilização de água, criação de espaços de sombra, pausas para trabalhadores expostos ao sol, adaptação de atividades físicas nas escolas, campanhas de orientação e níveis de alerta para situações de maior risco.
Calor chega ao plenário
A preocupação também foi levada ao plenário pelo vereador Raiff Matos (PL). Durante o Grande Expediente da CMM, no dia 25 de agosto, ele cobrou da Prefeitura de Manaus medidas para amenizar os efeitos do calor, como a reativação de chafarizes em praças, o uso de caminhões-pipa para irrigação de áreas verdes e a ampliação da arborização.
Raiff citou locais como a Praça da Matriz, a Praça Jefferson Pérez, a Bola do Mindu, no Parque Dez, e Ponta Negra como pontos onde os chafarizes poderiam voltar a funcionar.
A cobrança ocorre em meio a um cenário de perda de vegetação urbana. Dados citados pelo vereador apontam que Manaus foi a cidade brasileira que mais perdeu vegetação urbana nos últimos 20 anos. Já o Censo 2022, do IBGE, apontou que 44,81% das vias públicas da capital tinham presença de árvores.
Projetos semelhantes, mas sem aprovação
As propostas apresentadas na CMM convergem em pontos como sombra, arborização, hidratação, proteção de trabalhadores, cuidados com crianças e idosos e criação de protocolos para períodos de calor extremo, mas seguem apenas no campo das intenções.
O Inmet já apontava, na previsão climática para agosto, tendência de temperaturas acima da média em diferentes áreas do país, e análises meteorológicas indicam que o calor pode avançar para setembro, período que integra o chamado verão amazônico.
A população segue enfrentando os dias mais quentes do ano sem que a Câmara tenha transformado essas propostas em política municipal. Procurada, a Casa Legislativa ainda não respondeu aos questionamentos da Rede Onda Digital sobre o andamento dos projetos e a demora na discussão do tema.
