Um dos momentos mais importantes do processo eleitoral é o registro das candidaturas e a consequente apresentação da declaração de bens dos candidatos. Esses dados estão disponíveis para o público no site Divulgacand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e sempre trazem surpresas para o eleitor desavisado, sobretudo por conta de políticos tradicionais que, ao longo da vida, ocuparam vários cargos públicos e amealharam fortunas ou, por outro lado, são muito pobres.
Neste ano não está sendo diferente. A última atualização do DivulgaCand, às 8h35 desta quarta-feira (29), registra um total de um postulante ao Senado e seus suplentes, 17 candidatos a deputado federal e 49 candidatos a deputado estadual já aptos para a disputa eleitoral de outubro.
Destes, o candidato mais rico declarou um patrimônio de R$ 60,2 milhões, sendo R$ 179,6 mil em dinheiro vivo em moeda estrangeira e outros R$ 173 mil em dinheiro vivo em moeda nacional. Tudo devidamente, certamente, guardado em um cofre ou, quem sabe, debaixo do colchão, como faziam os antigos.
Diferenças chamam atenção entre os candidatos
Entre os 17 candidatos já registrados ao posto de deputado federal, chama atenção a declaração de bens de um candidato que já ocupou diversos cargos públicos no Amazonas, foi prefeito de município do interior e atualmente ocupa uma das oito vagas do Estado em Brasília, mas cujo patrimônio declarado é de R$ 44 mil, valor inferior ao de um imóvel do Minha Casa, Minha Vida, faixa 2, com dois quartos e um banheiro, cujo valor gira em torno de R$ 180 mil.
Outra candidata, uma advogada, declarou o menor patrimônio entre os já registrados no TSE, apenas R$ 1,8 mil, valor insuficiente para comprar o ingresso de uma noite do festival folclórico de Garantido e Caprichoso, em Parintins.
Uma empresária chama atenção por outro motivo. Ela declara um patrimônio de R$ 913 mil, sendo R$ 300 mil em dinheiro em espécie, valor equivalente a quase 30% do total declarado.
Por fim, outro dado curioso é o de um servidor público da área de segurança, cujo salário pago pelo Governo do Estado oscila entre R$ 25 mil e R$ 30 mil mensais, mas que declara um patrimônio de apenas R$ 20 mil.
CRC-AM diz que declaração é obrigação legal
Questionado sobre essa tradicional situação patrimonial dos candidatos, o coordenador da Comissão de Contabilidade Eleitoral do Conselho Regional de Contabilidade do Amazonas (CRC-AM), Romualdo Luz, afirma que a apresentação da declaração de bens do candidato é uma obrigação legal, que deve ser igual à declaração feita à Receita Federal do Brasil, e que qualquer incorreção ou fraude é responsabilidade da RFB investigar e punir.
