O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu publicamente aos rumores de que teria participado da produção do vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs divergências com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em publicação nas redes sociais, o parlamentar negou qualquer envolvimento e afirmou que renuncia ao mandato caso seja comprovada sua participação.
Segundo Nikolas, uma jornalista da Globo afirmou que integrantes ligados à equipe de Flávio estariam disseminando a narrativa de que pessoas que trabalham ou já trabalharam com ele teriam ajudado a produzir o conteúdo divulgado por Michelle.
“Não tive qualquer participação nisso. E digo mais, se conseguirem provar que eu participei, coordenei ou me envolvi na produção desse vídeo, eu renuncio ao meu mandato”, escreveu.
O deputado também rebateu especulações de que estaria organizando uma bancada própria para deixar o PL.
“Foi dito que estou trabalhando para eleger uma bancada de deputados e sair do PL. Acreditem, se essa fosse a intenção, eu já estaria em outro partido. Estou trabalhando, sim, para eleger uma bancada de deputados legitimamente de direita, honestos e que compartilham do meu sonho de mudar o Brasil”, afirmou.
Na publicação, Nikolas ainda criticou a circulação de informações atribuídas a integrantes da própria direita.
“Ao que parece, mais uma vez indivíduos mal-intencionados estão brifando a imprensa da qual sempre se disseram inimigos para criar narrativas contra mim. É nisso que a direita está se transformando. Inventem outra. Patéticos”, concluiu.
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Crise entre Michelle e Flávio ampliou desgaste no PL
A declaração ocorre em meio ao agravamento da crise interna no Partido Liberal. O conflito ganhou repercussão nacional após Michelle Bolsonaro divulgar vídeos relatando que foi desrespeitada e humilhada por Flávio Bolsonaro durante uma discussão envolvendo decisões políticas da legenda.

Segundo a ex-primeira-dama, o desentendimento ocorreu por divergências sobre a articulação do PL com o ex-ministro Ciro Gomes no Ceará e pela retirada do apoio à candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado. Michelle afirmou que ela e Flávio não se falam desde o fim de 2025.
Desde então, o episódio passou a provocar desdobramentos dentro da legenda. Michelle deixou a presidência nacional do PL Mulher, enquanto pesquisas indicaram impacto negativo para a imagem de Flávio entre parte do eleitorado após a exposição pública do conflito.
Crise respinga no PL Amazonas
A crise nacional também teve reflexos na política amazonense, especialmente sobre a pré-candidatura da empresária Maria do Carmo Seffair ao Governo do Amazonas pelo PL.

Nos últimos dias, Maria do Carmo manifestou apoio público a Michelle Bolsonaro em meio ao conflito familiar, ao comentar uma publicação da ex-primeira-dama nas redes sociais. O gesto chamou atenção porque a pré-candidata também recebeu apoio político de Flávio Bolsonaro para fortalecer seu projeto eleitoral no estado.
Posteriormente, a saída de Michelle da presidência do PL Mulher levantou dúvidas sobre possíveis impactos na campanha da empresária. Cientistas políticos ouvidos pela Rede Onda Digital avaliaram que o efeito tende a ser mais simbólico do que eleitoral, mas reconheceram que a crise cria um desafio para a narrativa de unidade do partido.
Na última sexta-feira (3), o presidente do PL Amazonas, Alfredo Nascimento, procurou encerrar as especulações ao reafirmar que Maria do Carmo permanece como pré-candidata da legenda ao Governo do Estado e confirmou a convenção partidária para o dia 4 de agosto.
Mesmo assim, a sequência de episódios mantém o PL sob pressão em diferentes estados e amplia a repercussão nacional das disputas internas envolvendo as principais lideranças do partido.

