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Maria do Carmo lidera apenas no Veritá; especialista analisa cenário

Pela quarta vez consecutiva, o Instituto Veritá colocou a empresária Maria do Carmo Seffair, do PL, na liderança da disputa pelo Governo do Amazonas. Na pesquisa divulgada nesta semana, a pré-candidata aparece com 35,7% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto o senador Omar Aziz, do PSD, registra 31,9%.

Na sequência aparecem o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), com 15,8% das intenções de voto, o governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), com 14,9%, e Ismael Munduruku (Rede), com 1,7%.

(Foto: Divulgação)

O resultado chama atenção porque o Veritá é, até o momento, o único instituto a apontar Maria do Carmo numericamente à frente de Omar. Nos demais levantamentos divulgados nos últimos meses por outros institutos, o senador lidera ou aparece em empate técnico com a adversária.

Embora a diferença entre os dois seja de 3,8 pontos percentuais, superior à margem de erro de três pontos, especialistas alertam que isso não significa, necessariamente, uma liderança estatisticamente consolidada.

Segundo o estatístico Ézio Lacerda, a margem de erro divulgada em uma pesquisa é calculada para a estimativa de cada candidato individualmente, e não para a diferença entre eles.

“Uma vantagem numérica superior à margem de erro divulgada não implica, por si só, ausência de empate técnico. A interpretação mais adequada considera os intervalos de confiança de cada estimativa. Quando esses intervalos se sobrepõem, não é possível afirmar com elevado grau de confiança estatística que um candidato esteja efetivamente à frente do outro”, explica.

Na avaliação do especialista, análises mais rigorosas utilizam testes estatísticos específicos para comparar as proporções entre candidatos, e não apenas a diferença entre os percentuais divulgados.

Pesquisa está errada?

A principal dúvida levantada após a divulgação do levantamento é se o fato de o Veritá apresentar um cenário diferente dos demais significa que a pesquisa esteja equivocada. Para Ézio Lacerda, a resposta é não.

Segundo ele, divergências entre levantamentos realizados em períodos próximos são esperadas e podem decorrer de diversos fatores metodológicos, como tamanho e composição da amostra, método de seleção dos entrevistados, distribuição geográfica da coleta, período das entrevistas, critérios de ponderação e modalidade de aplicação da pesquisa.

“Quando um levantamento apresenta resultados significativamente diferentes da tendência observada no conjunto das demais pesquisas realizadas no mesmo período, isso não significa automaticamente que esteja incorreto, mas justifica uma análise técnica mais detalhada de sua metodologia”, afirma.

O estatístico ressalta ainda que toda pesquisa está sujeita ao chamado erro amostral, além de erros não amostrais, como recusas para responder, dificuldades de alcançar determinados segmentos da população e diferenças na formulação das perguntas.

Método de coleta

Outro ponto que diferencia o levantamento é a metodologia utilizada. A pesquisa do Veritá foi realizada por URA, Unidade de Resposta Audível, sistema automatizado em que o eleitor responde às perguntas por telefone sem interação com um entrevistador.

Segundo Ézio, esse modelo apresenta vantagens, como menor custo, rapidez na coleta de dados e redução da influência do entrevistador sobre as respostas. Por outro lado, também possui limitações.

“A taxa de não resposta costuma ser elevada, determinados grupos podem estar sub-representados e não há possibilidade de esclarecer dúvidas durante a entrevista. Já as pesquisas presenciais oferecem maior controle sobre a seleção da amostra, embora sejam mais caras e demoradas”, explica.

Ele destaca, no entanto, que nenhum método é superior por si só. “A qualidade depende da execução do plano amostral, da ponderação dos dados e dos controles metodológicos adotados.”


Leia mais

Veritá: Maria do Carmo lidera contra Omar e David em simulações de segundo turno no AM

Veritá: Cidade e David empatam como segunda opção ao Governo do AM


O que observar em uma pesquisa

Para o estatístico, a margem de erro é apenas um dos critérios para avaliar um levantamento eleitoral. Também devem ser considerados fatores como o registro da pesquisa na Justiça Eleitoral, o tamanho e a representatividade da amostra, o método de seleção dos entrevistados, a modalidade de coleta, a distribuição geográfica, o período das entrevistas, os critérios de ponderação, o nível de confiança e a transparência metodológica.

Ézio também recomenda que jornalistas e eleitores evitem tirar conclusões a partir de um único levantamento.

“Um resultado divergente, isoladamente, não demonstra que a pesquisa esteja errada. Quando um instituto apresenta repetidamente números muito diferentes da tendência observada nos demais levantamentos, especialmente sem fatos políticos relevantes que expliquem uma mudança brusca, é recomendável examinar cuidadosamente sua metodologia e, posteriormente, comparar seu desempenho com o comportamento observado nas urnas.”

Na avaliação do especialista, pesquisas eleitorais devem ser interpretadas em conjunto, acompanhando a evolução das tendências ao longo da campanha, e não como previsões definitivas do resultado da eleição.

 

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Pela quarta vez consecutiva, o Instituto Veritá colocou a empresária Maria do Carmo Seffair, do PL, na liderança da disputa pelo Governo do Amazonas. Na pesquisa divulgada nesta semana, a pré-candidata aparece com 35,7% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto o senador Omar Aziz, do PSD, registra 31,9%.

Na sequência aparecem o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), com 15,8% das intenções de voto, o governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), com 14,9%, e Ismael Munduruku (Rede), com 1,7%.

(Foto: Divulgação)

O resultado chama atenção porque o Veritá é, até o momento, o único instituto a apontar Maria do Carmo numericamente à frente de Omar. Nos demais levantamentos divulgados nos últimos meses por outros institutos, o senador lidera ou aparece em empate técnico com a adversária.

Embora a diferença entre os dois seja de 3,8 pontos percentuais, superior à margem de erro de três pontos, especialistas alertam que isso não significa, necessariamente, uma liderança estatisticamente consolidada.

Segundo o estatístico Ézio Lacerda, a margem de erro divulgada em uma pesquisa é calculada para a estimativa de cada candidato individualmente, e não para a diferença entre eles.

“Uma vantagem numérica superior à margem de erro divulgada não implica, por si só, ausência de empate técnico. A interpretação mais adequada considera os intervalos de confiança de cada estimativa. Quando esses intervalos se sobrepõem, não é possível afirmar com elevado grau de confiança estatística que um candidato esteja efetivamente à frente do outro”, explica.

Na avaliação do especialista, análises mais rigorosas utilizam testes estatísticos específicos para comparar as proporções entre candidatos, e não apenas a diferença entre os percentuais divulgados.

Pesquisa está errada?

A principal dúvida levantada após a divulgação do levantamento é se o fato de o Veritá apresentar um cenário diferente dos demais significa que a pesquisa esteja equivocada. Para Ézio Lacerda, a resposta é não.

Segundo ele, divergências entre levantamentos realizados em períodos próximos são esperadas e podem decorrer de diversos fatores metodológicos, como tamanho e composição da amostra, método de seleção dos entrevistados, distribuição geográfica da coleta, período das entrevistas, critérios de ponderação e modalidade de aplicação da pesquisa.

“Quando um levantamento apresenta resultados significativamente diferentes da tendência observada no conjunto das demais pesquisas realizadas no mesmo período, isso não significa automaticamente que esteja incorreto, mas justifica uma análise técnica mais detalhada de sua metodologia”, afirma.

O estatístico ressalta ainda que toda pesquisa está sujeita ao chamado erro amostral, além de erros não amostrais, como recusas para responder, dificuldades de alcançar determinados segmentos da população e diferenças na formulação das perguntas.

Método de coleta

Outro ponto que diferencia o levantamento é a metodologia utilizada. A pesquisa do Veritá foi realizada por URA, Unidade de Resposta Audível, sistema automatizado em que o eleitor responde às perguntas por telefone sem interação com um entrevistador.

Segundo Ézio, esse modelo apresenta vantagens, como menor custo, rapidez na coleta de dados e redução da influência do entrevistador sobre as respostas. Por outro lado, também possui limitações.

“A taxa de não resposta costuma ser elevada, determinados grupos podem estar sub-representados e não há possibilidade de esclarecer dúvidas durante a entrevista. Já as pesquisas presenciais oferecem maior controle sobre a seleção da amostra, embora sejam mais caras e demoradas”, explica.

Ele destaca, no entanto, que nenhum método é superior por si só. “A qualidade depende da execução do plano amostral, da ponderação dos dados e dos controles metodológicos adotados.”


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