O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) contestou, em vídeo divulgado nesta terça-feira (14), a versão dada pelo senador Eduardo Braga (MDB) no programa Em Alta, da rádio Antena 1 Manaus, na noite de segunda (13). Braga afirmou que Ramos teria lhe dito, em conversa recente, que não seria mais candidato ao Senado e que assumiria a coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Isso nunca me foi oferecido. A Direção Nacional atendeu a um pedido do senador Eduardo Braga para que eu não fosse candidato ao Senado e me ofereceu ser candidato a deputado federal”, respondeu Ramos no vídeo.
A polêmica começou na sexta-feira (10), quando um blog publicou pela manhã uma nota informando que Ramos deixaria a pré-candidatura ao Senado para coordenar a campanha de Lula. Segundo o ex-deputado, a informação não correspondia à realidade: somente na sexta à tarde ele foi chamado pela Direção Nacional do PT, que lhe comunicou o entendimento do partido de que ele deveria disputar uma vaga a deputado federal para garantir o quociente eleitoral necessário para o PT voltar à Câmara.
Segundo Ramos, o pedido para que ele não fosse candidato ao Senado partiu de Braga, que temia que a dobradinha de candidaturas petistas favorecesse a eleição de dois senadores de oposição a Lula.
No vídeo, Ramos foi categórico ao negar a versão de que teria topado coordenar a campanha: “Eu preciso dizer de pronto que ninguém, nunca, jamais, em momento algum, conversou comigo sobre ser coordenador da campanha do presidente Lula.”
O ex-deputado afirmou ainda que tentou argumentar com a Direção Nacional sobre a conveniência de manter uma candidatura de esquerda ao Senado, capaz de defender o legado de Lula no Amazonas, mas que o entendimento do partido em torno de uma candidatura única de Braga já estava consolidado.
Para Ramos, restam agora três cenários, que ele pretende discutir com família, aliados e a militância do PT ao retornar a Manaus na quarta-feira (15).
A primeira é manter a pré-candidatura ao Senado, mesmo sabendo que ela pode ser barrada pela Direção Nacional, responsável pela definição das candidaturas majoritárias.
Outra opção seria aceitar a indicação para deputado federal, cenário que classificou como desconfortável: “Não sei qual o potencial de voto, não me preparei para isso, porque não participei de nada no processo de pré-campanha e muitos dos meus aliados já firmaram seus compromissos na eleição para deputado federal”.
E, por fim, aventa não ser candidato a nada, opção que chamou de “mais cômoda”, já que não interromperia sua atividade na advocacia privada nem o afastaria da família.
Mas, apesar das hipóteses, nenhuma decisão foi tomada até o momento.
Veja o pronunciamento de Ramos:
