O dirigente nacional do PCdoB e pré-candidato a deputado estadual, Eron Bezerra, afirmou que um eventual apoio do partido à pré-candidatura de Ismael Munduruku (Rede Sustentabilidade) ao Senado não significa, necessariamente, o rompimento com o senador Eduardo Braga (MDB), que buscará a reeleição em 2026.
À Rede Onda Digital, Eron confirmou as articulações iniciadas pela direção estadual do PCdoB com Ismael Munduruku, divulgadas pela mídia na segunda-feira (13), e ponderou que a eleição de dois senadores pelo Amazonas permite a construção de apoios simultâneos.
“Eu não participei dessa reunião, mas nessas eleições serão eleitos dois senadores, portanto o eventual apoio ao Ismael não elimina o eventual apoio, também, ao Eduardo”, disse.
A declaração ocorre em meio ao aumento das especulações sobre um possível afastamento entre Eduardo Braga e os partidos que integram a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB. Braga é um dos principais nomes ligados ao presidente Lula (PT) no Amazonas, ao lado do senador Omar Aziz (PSD), que disputará o governo do estado.
Conversas ampliam debate interno
Nos últimos dias, dirigentes do PCdoB iniciaram conversas com Ismael Munduruku, pré-candidato ao Senado pela Rede Sustentabilidade. A movimentação ganhou força depois da divulgação de que a convenção de Eduardo Braga, marcada para o dia 25 de julho, foi organizada sem a participação da Federação Brasil da Esperança, fato interpretado nos bastidores como um sinal de desgaste na relação entre o emedebista e parte da esquerda amazonense.
O movimento também reflete sobre as decisões em torno do ex-deputado federal Marcelo Ramos, até então indicado por Lula para concorrer a uma vaga ao Senado pelo PT. Em entrevista, Braga disse que Ramos coordenaria a campanha de Lula no Amazonas, mas foi desmentido pelo próprio ex-parlamentar nesta terça.
Apesar disso, a fala de Eron indica que o partido ainda não trata as articulações como excludentes e mantém aberta a possibilidade de construir uma composição que contemple mais de um nome para o Senado.
Leia mais
Com poucos quadros, PCdoB aposta em Eron Bezerra para a Assembleia Legislativa
Corrida ao Senado expõe ruídos entre Braga e Ramos na articulação do PT para 2026
Federação ainda discutirá estratégia
O presidente estadual do PCdoB, Yann Evanovick, também afirmou à Rede Onda Digital que o tema ainda será debatido internamente antes de qualquer definição.
Segundo ele, a Federação Brasil da Esperança realizará uma reunião nos próximos dias para alinhar as posições que serão levadas à direção nacional, enquanto o PCdoB mantém diálogo tanto com Eduardo Braga quanto com Ismael Munduruku.
“A Federação tem a sua dinâmica interna de debate. Nós vamos ter, inclusive, uma reunião na próxima quinta-feira para alinhar as decisões que vão ser enviadas para a Federação a nível nacional. Mas é importante compreender que a Federação é um grande partido com vários partidos dentro, sem tirar autonomia desses partidos que a compõem. Então, o PCdoB está fazendo esse debate, dialogando com o senador Eduardo Braga, dialogando com o Ismael Munduruku. São duas cadeiras que vão estar para a disputa do Senado. Então, essa é uma discussão programática, tática que nós vamos fazer dentro do campo e da base do presidente Lula”, declarou.
Cenário segue indefinido
As declarações reforçam que, embora existam conversas com novas lideranças políticas, o PCdoB ainda não decidiu qual estratégia adotará na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026.
Ao defender que o diálogo com Ismael Munduruku não inviabiliza um eventual apoio a Eduardo Braga, Eron Bezerra sinaliza que o partido pretende manter abertas as negociações dentro da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto aguarda as deliberações da Federação Brasil da Esperança e o avanço das articulações para a formação das chapas no Amazonas.
